A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e reiterou que trabalhará pela aprovação da agenda econômico do governo, mesmo que tenha discordâncias com o colega.
"Posso ter minhas posições divergentes [com Haddad], isso é normal no processo democrático. Mas nesse lugar, a Secretaria de Relações Institucionais, estou para facilitar a vida do governo, do presidente e dos ministros. Eu vim para ajudar", afirmou Gleisi, em entrevista ao programa PodK Liberados, exibida na noite do domingo, 17, pela RedeTV!.
O apresentador da atração é o senador Jorge Kajuru (PSB-GO). Gleisi disse que se reuniu com Haddad na semana passada para entender quais eram as prioridades da Fazenda e como poderia ajudar na aprovação das matérias no Congresso.
Entre os pontos de divergência com Haddad, a ministra lembrou que considera o limite de 2,5% de crescimento de despesas, previsto pelo arcabouço fiscal, como muito baixo.
"Mas passou, foi aprovado, e vida que segue. Vamos cumprir o que foi aprovado", disse Gleisi, que lembrou que o governo terá de fazer bloqueios no Orçamento já em abril por causa do teto de expansão dos gastos.
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Ajuste fiscal
Gleisi afirmou que Haddad entregou o ajuste fiscal prometido e reduziu o déficit fiscal de mais de R$ 200 bilhões, em 2023, para menos de R$ 30 bilhões no ano passado. O feito, porém, não é reconhecido pelos analistas do mercado financeiro, segundo a ministra. "Não é certo o mercado ficar cobrando que corte os pulsos. Vai deixar de fazer as coisas?", questionou.
Gleisi Hoffmann disse que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, da isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês e do novo programa de crédito consignado para funcionários de empresas privadas estão entre as prioridades do governo junto ao Congresso nos próximos meses.
A ministra afirmou que a PEC da Segurança Pública é uma "prioridade para o País" e que vai conversar com os líderes dos partidos no Congresso para acelerar a tramitação da pauta, ainda antes de o governo apresentar o texto final. "Não pode ser uma matéria que vire uma disputa supérflua, de lacração", disse a ministra na entrevista ao programa PodK Liberados, apresentado pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO).
Em relação à articulação política, Gleisi afirmou que é preciso saber quando fazer a "política da disputa" e a "política da mediação" e reconheceu que não será possível "aprovar tudo", diante da posição minoritária do governo no Congresso. "Em muitas coisas vamos ter que ceder, e daí vamos graduando, o que é dentro do essencial", disse. "Às vezes uma boa conversa resolve muito."
A ministra afirmou também que pretende conversar com políticos da oposição, mas que vai evitar os que considera "radicais", para não "gastar vela com santo ruim". "Com quem é da conversa, mesmo sendo oposição, eu vou procurar dialogar. Agora, com aqueles que gritam, que agridem, não adianta gastar tempo."
Gleisi disse ainda que tem "boa relação" com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e que trabalhou para que o PT o apoiasse na disputa pelo comando da Casa, no mês passado, quando ainda atuava como deputada. "Acho que foi correto isso. Ele [Motta] é uma pessoa que tem uma tranquilidade na condução. Então, eu acho que a gente tem tudo para se acertar."