“A questão de ordem é para que o presidente da Casa (deputado gaúcho e petista Marco Maia) restabeleça a ordem. Deve ser anulado o resultado (da convocação de Palocci) e, aí vai ter outra votação e vocês vão ver o que a maioria quer”, explicou Vaccarezza ao informar que, ainda nesta noite, os deputados da base aliada que integram a Comissão de Agricultura vão assinar uma questão de ordem dirigida a Marco Maia pedindo a anulação da reunião da comissão que aprovou a convocação do ministro.
Vaccarezza disse que não existe clima de guerra entre governo e oposição e, sim, um debate político acirrado. “O que aconteceu na comissão hoje foi um golpe. O presidente anunciou um resultado que era minoritário. Não foi manobra regimental, porque a manobra regimental é legítima, o que não é legitimo é o golpe.” O ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, também usou o termo “golpe” para definir a convocação de Palocci.
DEM cogita até recorrer a STF para manter convocação de Palocci
Segundo o líder, o presidente da comissão, deputado Lira Maia (DEM-PA), apesar da orientação da maioria contrária à convocação do ministro, descumpriu a praxe do Parlamento e anunciou a posição do partido dele, o DEM, que é pela convocação do ministro.
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), disse que ainda não sabe qual será a decisão que irá tomar sobre a questão de ordem para anular a reunião da Comissão de Agricultura e, consequentemente, a aprovação da convocação do ministro. “Vamos analisar os documentos, as fitas de gravações, antes de decidir. Acho que é lamentável que nós não tenhamos sempre uma condução equilibrada dos processos de votações.”
O líder do DEM, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), afirmou que não vê nenhum amparo legal para o presidente da Câmara revogar a decisão da Comissão de Agricultura. “Golpe é querer mudar uma decisão que foi tomada legalmente pela comissão.” Segundo ele, se o presidente da Câmara acolher a questão de ordem e revogar a convocação do ministro ele irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal para manter a convocação de Palocci.