Os nomes dos novos presidentes do Banco do Brasil e da Caixa foram anunciados nesta quarta-feira pelo governo. O BB será comandado por Paulo Caffarelli, enquanto a Caixa ficará com Gilberto Occhi, o nome que já vinha sendo apontado como o favorito.
Funcionário de carreira com mais de 30 anos no BB, Caffarelli foi o nome defendido pelo ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, para o comando do banco no início do segundo mandato da presidente afastada Dilma Rousseff. O escolhido, porém, foi Alexandre Abreu. Caffarelli, ex-número 2 da Fazenda, exercia atualmente a função de diretor executivo corporativo da CSN.
Já Occhi, ex-ministro da Integração e das Cidades, era dado como certo à frente da Caixa desde o início do governo do presidente em exercício Michel Temer. A indicação para o cargo foi feita pelo PP, partido da base do governo. Ele substitui a petista Miriam Belchior. Restrições ao nome de Occhi surgiram no Ministério da Fazenda, mas o presidente do PP, deputado Ciro Nogueira (PI), afirmou que não havia "plano B" e que a indicação já tinha sido aprovada por Temer e pelo ministro Henrique Meirelles.
Incômodo Meirelles chegou a pensar em anunciar as indicações apenas na próxima segunda, mas o incômodo causado ao PP pela exoneração de Miriam e a não indicação do substituto levou à antecipação do anúncio dos nomes. O ministro fazia questão de anunciar os escolhidos para a Caixa e o BB conjuntamente.
A permanência de Miriam à frente da Caixa já tinha criado uma "saia-justa" para o governo Temer. O banco rebateu as declarações do ministro das Cidades, Bruno Araújo, dadas ao jornal "O Estado de S. Paulo" de que dezenas de milhares de moradias do programa Minha Casa Minha Vida estão prontas mas não foram entregues porque o governo de Dilma esperava a agenda dos ministros para as inaugurações. Araújo também disse que a meta de Dilma de contratar 2 milhões de moradias até 2018 será revista, o que também foi confrontado pelo banco.
O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, disse que atitudes como aquela mostravam a necessidade de acelerar a troca no comando dos bancos e chamou Miriam de "militante".
Ex-ministra do Planejamento, ela assumiu o comando do banco em fevereiro de 2015 para impedir que a restrição fiscal comandada pelo ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy, atingisse programas sociais com o Minha Casa Minha Vida, vitrines do governo petista. Mas foi com ela à frente da instituição que o MCMV registrou o nível mais baixo de contratações desde que foi criado. Também foi quando o programa Minha Casa Melhor, que financiava a compra de eletrodomésticos e móveis, foi extinto de vez.
Governo define novos presidentes do BB e da Caixa
BB será comandado por Paulo Caffarelli e Caixa ficará com Gilberto Occhi