Política

Governo do Estado tem contas desbloqueadas

Sequestro de valores foi garantia para pagamento de parcela atrasada da dívida com União

Secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul confirmou desbloqueio das contas
Secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul confirmou desbloqueio das contas Foto : Juliana de Mirranda Villeroy / Piratini / Divulgação / CP
*Com informações do repórter Samuel Vettori

A Secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul confirmou na tarde desta quinta-feira que o Estado teve as contas desbloqueadas pela União. O bloqueio ocorreu por conta da decisão de José Ivo Sartori de não pagar a parcela da dívida para pagar os salários dos servidores relativos ao mês de julho.

Com o desbloqueio, os valores de vale alimentação de servidores estaduais já foram repassados. Repasses para o transporte escolar, por exemplo, ficarão pendentes. O Estado vai guardar recursos para pagar a próxima folha.

O sequestro de valores foi garantia para o Palácio Piratini quitar a dívida atrasada de julho. A parcela atrasada foi de cerca de R$ 263,9 milhões. Durante o período, desde o último dia 11 até hoje, o governo estadual ficou impedido de repassar recursos inclusive a prefeituras e a fornecedores, assim como pagamento de precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs).

Na quarta-feira, a secretária da Fazenda já havia definido como prioritários os repasses de R$ 2,75 milhões para o pagamento de diárias da Brigada Militar; uma primeira parcela de R$ 1,75 milhão para o Fundo de Aparelhamento da Segurança Pública; R$ 9 milhões para fornecedores da área da Segurança (combustível para viaturas e alimentação para presídios); R$ 4,2 milhões para o Programa RS Mais Renda; R$ 16,8 milhões para consignações do Ipergs; cerca de R$ 12,5 milhões para as folhas salariais da Emater e da Cesa; R$ 2 milhões para o pagamento de Vale Refeição, e R$ 18 milhões em repasse de tributos (Pasep-INSS) para os municípios. Os valores a serem repassados à Saúde ainda estão indefinidos, mas dificilmente chegarão ao total esperado, de R$ 133 milhões.

Além dos repasses que ficarão pendentes, o próximo desafio do Executivo, agora, é pagar a folha de agosto, de R$ 950 milhões líquidos, que devem ser depositados no dia 31. O Piratini não garante o pagamento integral de salários, mesmo com o risco de mais uma paralisação de quatro dias dos servidores. Desde ontem, e até amanhã, a maioria das escolas públicas segue fechada, a Brigada Militar trabalha em operação padrão e a Polícia Civil restringe atendimento a casos graves. Também há prejuízo em outros setores.