Política

Governo do Estado tenta mudar RPVs pela quinta vez

Projeto que reduz valor para pagamento de requisições de pequeno valor divide base

Em um café da manhã na Casa Civil com líderes dos partidos aliados, o governo tenta nesta terça-feira enquadrar a base e garantir o quórum para a aprovação do projeto de lei que reduz o valor limite de pagamento das requisições de pequeno valor (RPVs). O PL 336/2015 tranca a pauta na Assembleia Legislativa desde 8 de outubro, e vai à votação pela quinta vez à tarde. Nas duas últimas, o governo não conseguiu o quórum mínimo de 28 deputados para iniciar a votação.

O projeto das RPVs diminui o teto de pagamento das requisições, hoje de 40 salários mínimos. O texto sofre forte oposição de categorias do funcionalismo público e, principalmente, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), que o define como uma forma de calote institucional.

Entre os partidos da base do governo, divergências causaram os sucessivos adiamentos na apreciação e geraram modificações no texto. “Há algumas dificuldades com os aliados, que ficam um pouco acuados em relação a determinados pontos. O governo precisará pressionar um pouco mais sobre esta questão organizativa”, diz o líder da bancada do PMDB, deputado Álvaro Boessio. O parlamentar garante que o PMDB, com oito deputados, “dará o exemplo”, votando em bloco a favor do projeto. Apesar disso, alguns integrantes do PMDB admitem que prefeririam fazer mais alterações no projeto original.

No PP, com sete deputados, o líder da bancada, Frederico Antunes, é contra o texto. O líder do PP na Casa, deputado Sérgio Turra, acredita que a legenda assegure seus outros seis votos para a aprovação do texto, contanto que sejam aprovadas antes as duas emendas que introduziram modificações quanto a prazos e valores. Garantia semelhante é dada pelo líder da bancada do PDT, deputado Eduardo Loureiro. O PDT tem oito deputados. “Somos contra o projeto original. As emendas serão apreciadas primeiro. Se forem aprovadas, votamos a favor do texto. Caso contrário, votamos contra.” Ele admitiu ainda que “um ou outro” colega de bancada ainda possui restrições, mesmo com as alterações acertadas entre base e governo.

As emendas em questão são as de número 4 e 6. A emenda 4 estabelece que RPVs, cujo trânsito em julgado tenha ocorrido antes da entrada em vigor da lei, obedecem ao teto de pagamento de 40 salários mínimos. A emenda 6 determina que o teto para pagamento seja de dez salários mínimos. O texto original previa um limite de sete salários mínimos e não “poupava” os credores que já tinham decisões com trânsito em julgado. PT, PTB, PCdoB e PSol prometem votar contra o projeto.