O secretário de Segurança Pública, Airton Michels, argumentou que o fato de o governo determinar a construção de uma sede própria para o comando da instituição, já confere ao Corpo de Bombeiros um certo status. Anteriormente, as unidades eram locadas mais para ação, ficando o comando, no quartel da avenida Aureliano Pinto de Figueiredo, na Praia de Belas. “Uma sede própria requer o mínimo de gestão”, afirmou o secretário. “Além disso, não é demérito fazer parte do quadro da BM”, ressaltou o secretário.
Esta autonomia, de acordo com o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Sérgio Roberto de Abreu, implica que o Corpo de Bombeiros gerenciará a locação dos recursos humanos. A instituição, também, determinará as diretrizes para administrar as verbas que recebe. Quanto a dotação orçamentária, segundo o coronel, existem três tipos, em relação aos bombeiros: as verbas municipais, através do Fundo de Reaparelhamento dos Bombeiros (Fumrebom); pela consulta popular - que determina a aquisição de viaturas entre outros -, e a verba que é repassada pela BM à instituição. “Além disso, eles (bombeiros) estão dentro da verba de custeio da BM”, disse o coronel. “Eles (bombeiros) irão traçar objetivos para o desenvolvimento estratégico.”
Para o coordenador-adjunto da Associação dos Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Abergs), Florisberto Dutra, o gesto do Executivo é um paliativo, pois não há como haver autonomia se uma instituição ficará subordinada a outra. Dutra ressaltou que faltou um pouco mais de ousadia por parte do governo. A Abergs, segundo ele, espera que o Estado mantenha um canal aberto para a discussão da desvinculação. Esta pauta, salientou o coordenador-adjunto da entidade, continua. “Lamentamos que não tenha ocorrido a desvinculação”, disse. “Mas, isso não tira a nossa vontade de ir em frente, lutando pelo nosso objetivo”, afirmou Dutra.
Para o representante da Abergs, o projeto de lei melhora um pouco a situação, mas é necessário avançar mais. Segundo ele, a sociedade reconhece a necessidade da desvinculação para que seja prestado um serviço melhor. “O assunto é delicado, complexo e respeitamos da decisão”, disse. “Mas, permanecemos em luta.”