Política

Governo enviará à Assembleia projeto que dá maior autonomia aos bombeiros

Medida decepcionou a corporação, que pedia o desmembramento da Brigada Militar

Governador Tarso Genro participou de solenidade em homenagem ao Dia Nacional do Bombeiro
Governador Tarso Genro participou de solenidade em homenagem ao Dia Nacional do Bombeiro Foto : Tarsila Pereira
O governo do Estado envia à Assembleia Legislativa, ainda este mês, o projeto de lei concedendo maior autonomia administrativa e técnica ao Corpo de Bombeiros. A medida decepcionou os integrantes da corporação, que esperavam a desvinculação da Brigada Militar (BM). Segundo o governador Tarso Genro a separação dos bombeiros da BM não foi cogitada. O governador esteve na solenidade do Dia Nacional do Bombeiro, na sede do 1º Comando Regional (1º CRB) da instituição, na Capital, na tarde desta segunda-feira. “Não é bem o que queríamos, mas é melhor do que nada”, comentou um oficial da corporação.

O secretário de Segurança Pública, Airton Michels, argumentou que o fato de o governo determinar a construção de uma sede própria para o comando da instituição, já confere ao Corpo de Bombeiros um certo status. Anteriormente, as unidades eram locadas mais para ação, ficando o comando, no quartel da avenida Aureliano Pinto de Figueiredo, na Praia de Belas. “Uma sede própria requer o mínimo de gestão”, afirmou o secretário. “Além disso, não é demérito fazer parte do quadro da BM”, ressaltou o secretário.

Esta autonomia, de acordo com o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Sérgio Roberto de Abreu, implica que o Corpo de Bombeiros gerenciará a locação dos recursos humanos. A instituição, também, determinará as diretrizes para administrar as verbas que recebe. Quanto a dotação orçamentária, segundo o coronel, existem três tipos, em relação aos bombeiros: as verbas municipais, através do Fundo de Reaparelhamento dos Bombeiros (Fumrebom); pela consulta popular - que determina a aquisição de viaturas entre outros -, e a verba que é repassada pela BM à instituição. “Além disso, eles (bombeiros) estão dentro da verba de custeio da BM”, disse o coronel. “Eles (bombeiros) irão traçar objetivos para o desenvolvimento estratégico.”

Para o coordenador-adjunto da Associação dos Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Abergs), Florisberto Dutra, o gesto do Executivo é um paliativo, pois não há como haver autonomia se uma instituição ficará subordinada a outra. Dutra ressaltou que faltou um pouco mais de ousadia por parte do governo. A Abergs, segundo ele, espera que o Estado mantenha um canal aberto para a discussão da desvinculação. Esta pauta, salientou o coordenador-adjunto da entidade, continua. “Lamentamos que não tenha ocorrido a desvinculação”, disse. “Mas, isso não tira a nossa vontade de ir em frente, lutando pelo nosso objetivo”, afirmou Dutra.

Para o representante da Abergs, o projeto de lei melhora um pouco a situação, mas é necessário avançar mais. Segundo ele, a sociedade reconhece a necessidade da desvinculação para que seja prestado um serviço melhor. “O assunto é delicado, complexo e respeitamos da decisão”, disse. “Mas, permanecemos em luta.”

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