Depois de escolher a emblemática cidade de Piratini, capital farroupilha, como sede da primeira descentralização do Executivo, ainda em janeiro, o núcleo de gestão definiu que o segundo roteiro ocorrerá no dia 19 de fevereiro, em São Borja, onde nasceram os ex-presidentes Getúlio Vargas e João Goulart e o ex-governador Leonel Brizola.
O vice-governador Beto Grill revela que dois critérios são utilizados para a escolha dos locais das interiorizações: "A questão histórica é um dos componentes. Mas também levamos em consideração o combate às desigualdades regionais. Piratini e São Borja estão em faixas em que a economia tem suas dificuldades", explicou Grill.
O governo também acredita que o contato com a realidade do Interior favorece a compreensão sobre os problemas mais urgentes do Estado. "As visitas são importantes para o convencimento de que determinada demanda é fundamental. Mas também podemos estar sofrendo pressão e, ao verificar de perto, será possível concluir que existem outras prioridades. Vamos fazer o juízo de valor in loco."
Ex-governadores recordam viagens
Outros ex-governadores gaúchos adotaram a prática da interiorização, cada um com suas peculiaridades. Germano Rigotto (PMDB), que esteve à frente do governo estadual entre 2003 e 2006, recorda as interiorizações com entusiasmo. Ele garante que foi o fundador do atual modelo: instalação do governo em uma cidade do Interior por um dia, reuniões com prefeitos, vereadores, sindicatos e entidades da sociedade civil da região, com a presença do governador e dos secretários de Estado. "Nós inauguramos. Isso nunca tinha acontecido. Fizemos 36 interiorizações", afirma.
Rigotto salienta que as viagens eram importantes para conhecer detalhes das demandas de cada região. "Nunca tive esse problema de ter que me esconder no Piratini, de não poder circular. Essa facilidade de transitar me permitiu andar pelo Estado inteiro", diz Rigotto.
O ex-governador Olívio Dutra (PT) classifica as interiorizações como ações de cunho político, administrativo e cultural. Governador entre 1999 e 2002, o petista afirma que deslocou equipes do Piratini para as 27 regiões do Orçamento Participativo que existiam à época. Ele acredita que a prática é uma forma de valorizar a cultura e a cidadania. "Me lembro de um ano, durante a Semana Farroupilha, em que instalamos o governo nas três cidades que foram capitais da República Rio-grandense. Fomos a Piratini, Encruzilhada do Sul e Alegrete."
O ex-governador Alceu Collares (PDT), que comandou o Estado de 1991 a 1994, diz que é fundamental estar preparado para auxiliar os prefeitos. Ao falar da descentralização, ele valoriza seu mandato. "Eu consagrei a interiorização com a criação dos Coredes."