Política

Governo federal erra ao ignorar críticas que vêm das ruas

Temer defendeu que sem aprovação da reforma da Previdência, cenário será de caos

Governo federal erra ao ignorar críticas que vêm das ruas
Governo federal erra ao ignorar críticas que vêm das ruas Foto : Alina Souza
Ainda sob o impacto da lista de pedidos de investigações de lideranças de peso, como cinco ministros e praticamente toda a linha sucessória do país, encaminhada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, e com manifestações nas ruas em todo o Brasil, o presidente Michel Temer manteve a estratégia de ignorar solenemente a realidade.

Em pronunciamentos durante eventos ao longo do dia, Temer sustentou o discurso de que sem a aprovação de uma profunda reforma na Previdência, o cenário será de caos em alguns anos, citando os exemplos de países como Portugal, Espanha e Grécia e de estados em situação de calamidade financeira, casos do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. “A sociedade brasileira, pouco a pouco, está entendendo que é preciso dar apoio a este caminho para colocar o país nos trilhos”, disse o peemedebista.

A defesa mais incisiva da necessidade de aprovação da reforma da Previdência, que está sendo feita pessoalmente por Temer, terá o reforço de campanhas na TV e na Internet. Nessa quarta-feira, coincidentemente, propaganda do governo federal sobre o tema foi retirada do ar por determinação judicial, sob o argumento de que a veiculação não possui caráter educativo, informativo ou de orientação social, como exige a Constituição. As últimas investidas do Planalto em defesa da reforma são sintomáticas.

Apesar do discurso do governo de que serão garantidos os votos necessários à aprovação da proposta — 308 na Câmara e 41 no Senado, em dois turnos — há preocupação com resistências ao texto encaminhado ao Legislativo. Não apenas entre parlamentares da oposição, mas também entre aliados, como Dem e PSDB e inclusive do PMDB, partido de Temer.

O impacto da lista de Janot e dos desdobramentos da Lava Jato, que publicamente estão sendo minimizados, internamente acenderam a luz de alerta na cúpula do Planalto, não apenas em função do impacto político, mas também porque pode acabar paralisando a pauta no Congresso Nacional.

Erro estratégico

O governo federal erra estrategicamente ao minimizar e a atribuir as críticas feitas à reforma da Previdência apenas a sindicatos, movimentos e partidos “de esquerda”. As resistências são bem mais amplas e ganharam reforço inclusive de parlamentares considerados de extrema direita.