Política

Governo gaúcho viaja ao Japão para tentar captar investimentos

Missão liderada pelo governador José Ivo Sartori terá quatro dias de reuniões no país asiático semana que vem

Missão liderada pelo governador José Ivo Sartori terá quatro dias de reuniões no país asiático
Missão liderada pelo governador José Ivo Sartori terá quatro dias de reuniões no país asiático Foto : Tiago Medina / Especial / CP
Uma missão gaúcha atravessará o mundo para tentar fazer do Japão um parceiro mais próximo do Rio Grande do Sul. Liderada pelo governador José Ivo Sartori, a delegação terá também secretários e empresários que, do outro lado do mundo, tentarão estreitar laços comerciais com empresas orientais apresentando as potencialidades do Estado, especialmente no que se refere ao carvão mineral.

"O Japão é o sexto maior destino de exportações do Brasil, mas apenas o 21º do Rio Grande do Sul e o 25º em importações", sinalizou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Márcio Biolchi, na manhã desta quarta. "Existe uma margem de potencial econômico grande para crescimento desta relação."

Dentre as reuniões e encontros programados para ocorrer entre segunda e quinta-feira da semana que vem, há dois principais destaques. O primeiro compromisso oficial da delegação é uma visita à Usina de Hitachinaka, de propriedade da Tepco. A empresa japonesa já manifestou interesse em construir usina térmica de alta eficiência na região do Baixo Jacuí, provavelmente em Charqueadas.

Trata-se de um investimento voluptuoso, de cerca de US$ 2 bilhões e, de acordo com o secretário de Minas e Energia, Artur Lemos, com capacidade de gerar milhares de empregos na região, a partir do início da próxima década. "O carvão do baixo Jacuí é apto a recepcionar a tecnologia desenvolvida pelo Japão", salientou o secretário, que enfatizou que o trabalho desenvolvido pelos orientais visa a sustentabilidade.

Conforme Lemos, há uma sinalização do BNDES em não financiar a obra, por isso a importância do contato com os japoneses. "O Estado vai criar as políticas públicas para desenvolver o projeto", afirmou. Depois do retorno da missão ao Japão, o governador deverá se reunir com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, para discutir o assunto.

Encontro com empresários

No Japão, Sartori, além de ter reuniões com bancos e empresas locais, irá palestrar no 8º Seminário Econômico Brasileiro, organizado pelo banco Iwata Shinkin, na cidade da Hamamatsu. A instituição financeira realiza missões empresariais no Brasil, mas apenas no Paraná e em São Paulo. O governador assinará um memorando para incluir o Rio Grande do Sul na rota de possíveis investidores japoneses.

A participação no seminário é cercada de expectativa pelos integrantes do governo gaúcho. "O governador falará diretamente a micro, pequenos e médios empresários que podem, diretamente, investir no Rio Grande do Sul", explicou o secretário Márcio Biolchi. Sartori será o primeiro governador de um estado brasileiro a participar do seminário.

Para Biolchi, a participação do governador neste momento, em meio à crise política no Brasil, ressalta o compromisso do Estado na busca por investimentos. "Nessa circunstância manter a missão e ir, traria mais importância ao Rio Grande do Sul".

Apoio tecnológico em prol do litoral Norte

Além do fomento à utilização do carvão e do contato com investidores japoneses, outro objetivo da viagem ao Japão é a parceria para ações de despoluição das lagoas do litoral Norte gaúcho. "É um projeto que transcenderá este governo", salientou a secretária de Meio Ambiente, Ana Pellini, que fará reuniões em busca de uma cooperação técnica com os japoneses responsáveis pela qualidade da água do lago Biwa, fonte de suprimento para 13 milhões de pessoas, na região de Kyoto.

O lago Biwa teve graves problemas de contaminações entre a década de 1960 e o início dos anos 1980. O trabalho realizado no lago tem reconhecimento internacional, segundo a Secretaria do Meio Ambiente. O Piratini visa, com os encontros, desenvolver ações a serem aplicadas no Estado. "O mais importante é o apoio tecnológico que nós podemos receber", afirmou a secretária. O governo também negociará o financiamento de um eventual projeto de despoluição do sistema lagunar do litoral Norte.