Política

Governo Lula começa a ouvir setores afetados pelo tarifaço dos EUA

Representantes de indústrias calçadista, têxtil e do plástico se reúnem com ministros para discutir medidas

Nesta terça, pelo menos três associações deverão se reunir com ministros de Estado
Nesta terça, pelo menos três associações deverão se reunir com ministros de Estado Foto : Ricardo Stuckert / PR / CP

O governo Lula vai começar a ouvir, a partir desta terça-feira, 21, os setores afetados pelo tarifaço de 25% que será aplicado pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros. A tarifa adicional deverá entrar em vigor nesta quarta-feira, 22.

Nesta terça, pelo menos três associações deverão se reunir com ministros de Estado: a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

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Reuniões ministeriais e atuação de Alckmin

Além do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias, principal responsável pelas conversas, deverão participar dessas agendas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Alckmin, ex-ministro do MDIC, atuou durante o primeiro tarifaço, em meados de 2025.

Empresários defendem que o governo brasileiro retalie as medidas americanas após a nova ofensiva e pedem a aplicação da Lei de Reciprocidade, aprovada no ano passado pelo Congresso Nacional. Essa legislação autoriza o Brasil a adotar contramedidas comerciais em resposta a ações unilaterais de países ou blocos econômicos que "prejudiquem a competitividade internacional do País".

Parte dos setores prejudicados defende, ainda, que o Brasil acione a Organização Mundial do Comércio (OMC) e prepare uma retaliação escalonada. O titular do MDIC disse na semana passada que o processo de reciprocidade aos EUA é uma medida que exige cautela, com "forma e intensidade adequada". O ministro frisou que, mesmo com a tarifa já confirmada, o governo federal não sairá da mesa de negociação com os EUA e não "abandonará o multilateralismo".

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Recalibragem do plano Brasil Soberano

Por sua vez, o ministro da Fazenda adiantou que haverá uma recalibragem do chamado plano Brasil Soberano, que prevê apoio às empresas exportadoras de bens industriais diante de medidas como o tarifaço dos EUA. Sem citar números, Durigan disse ser possível que, no mês que vem, os efeitos deste plano de apoio já possam ser verificados.

Em junho deste ano, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação sobre temas como desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos PIX. A confirmação da sobretaxa foi anunciada na última quarta-feira, 15, após audiências públicas promovidas pelo USTR.

A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA retaliar práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas.

Além dessa tarifa de 25%, os EUA já anunciaram uma sobretaxa adicional de 12,5% para países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. O cenário mais provável é a confirmação dessa medida ainda nesta semana.