Para os analistas, a saída de Palocci é uma questão de dias. "Um ministro só fica nestas condições se o presidente for extraordinariamente forte e se tiver conforto no Congresso, situações que não ocorrem hoje", avaliou o cientista político Rubens Figueiredo.
A grande dificuldade do governo, na opinião dos analistas, será encontrar um substituto com os atributos de Palocci, uma vez que o desgaste da situação inviabilizou sua permanência no cargo. Melo diz que encontrar um substituto não é tarefa impossível, mas avalia que será muito difícil para a presidente encontrar alguém com o perfil de Palocci, que além de conselheiro contribui para encontrar o equilíbrio entre política desenvolvimentista e combate à inflação neste início de gestão.
Para o lugar de Palocci, Melo acredita que Miriam Belchior (Planejamento) e Paulo Bernardo (Comunicações) poderiam desempenhar as funções gerenciais da Casa Civil, assim como Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (Justiça) transitariam bem na área política. No entanto, nenhum deles conseguiria agradar gregos e troianos do mercado como o atual ministro da Casa Civil. "Palocci é visto como uma espécie de pau da barraca daquilo que restou da política econômica dos últimos 16 anos", explicou.
Já Figueiredo não acredita que Palocci seja tão indispensável para o setor econômico como foi nos primeiros anos do governo Lula, mas admite que o governo teria dificuldades para encontrar um bom substituto. "O governo tem condições de encontrar um articulador como o Palocci, mas não com os mesmo predicados que ele tem", afirmou. Para o cientista, Dilma teria que nomear alguém com capacidade administrativa, bom trânsito no Congresso e respeitabilidade dentro do PT, algo que Palocci já não desfruta mais. "Hoje um dos grandes problemas do Palocci é o PT, que não o vê mais como petista", emendou Melo.
Falha
Os analistas acreditam que o governo falhou ao minimizar a articulação política e fechar as portas do Palácio do Planalto para os partidos. Se mantido o estilo reservado de Dilma, seu governo corre o risco de ficar refém do Congresso e paralisar - sem conseguir avançar nas reformas e sem credibilidade na área econômica.