Política

Governo terá dificuldades para substituir Palocci, dizem analistas

Depois da crise provocada pela evolução patrimonial do chefe da Casa Civil, queda seria iminente

Governo terá dificuldades para substituir Palocci, dizem analistas
Governo terá dificuldades para substituir Palocci, dizem analistas Foto : José Cruz / ABr / CP Memória
A crise provocada pela evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e sua demora para se explicar publicamente, pode ter definitivamente enterrado o principal articulador da presidente Dilma Rousseff. Dono de um perfil que agrada ao mercado e conhecedor das entranhas do mundo político, dificilmente a presidente terá alguém à altura para substituí-lo, avaliam os analistas ouvidos pela Agência Estado. "O Palocci articulador morreu", concluiu o cientista político Carlos Melo.

Para os analistas, a saída de Palocci é uma questão de dias. "Um ministro só fica nestas condições se o presidente for extraordinariamente forte e se tiver conforto no Congresso, situações que não ocorrem hoje", avaliou o cientista político Rubens Figueiredo.

A grande dificuldade do governo, na opinião dos analistas, será encontrar um substituto com os atributos de Palocci, uma vez que o desgaste da situação inviabilizou sua permanência no cargo. Melo diz que encontrar um substituto não é tarefa impossível, mas avalia que será muito difícil para a presidente encontrar alguém com o perfil de Palocci, que além de conselheiro contribui para encontrar o equilíbrio entre política desenvolvimentista e combate à inflação neste início de gestão.

Para o lugar de Palocci, Melo acredita que Miriam Belchior (Planejamento) e Paulo Bernardo (Comunicações) poderiam desempenhar as funções gerenciais da Casa Civil, assim como Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) e José Eduardo Cardozo (Justiça) transitariam bem na área política. No entanto, nenhum deles conseguiria agradar gregos e troianos do mercado como o atual ministro da Casa Civil. "Palocci é visto como uma espécie de pau da barraca daquilo que restou da política econômica dos últimos 16 anos", explicou.

Já Figueiredo não acredita que Palocci seja tão indispensável para o setor econômico como foi nos primeiros anos do governo Lula, mas admite que o governo teria dificuldades para encontrar um bom substituto. "O governo tem condições de encontrar um articulador como o Palocci, mas não com os mesmo predicados que ele tem", afirmou. Para o cientista, Dilma teria que nomear alguém com capacidade administrativa, bom trânsito no Congresso e respeitabilidade dentro do PT, algo que Palocci já não desfruta mais. "Hoje um dos grandes problemas do Palocci é o PT, que não o vê mais como petista", emendou Melo.

Falha

Os analistas acreditam que o governo falhou ao minimizar a articulação política e fechar as portas do Palácio do Planalto para os partidos. Se mantido o estilo reservado de Dilma, seu governo corre o risco de ficar refém do Congresso e paralisar - sem conseguir avançar nas reformas e sem credibilidade na área econômica.

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