Política

Governo vê caso das gravações restrito ao PMDB do Senado e põe foco na economia

Gestão prioriza meta fiscal aprovada no Congresso

Para ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, áudios não contaminaram base aliada
Para ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, áudios não contaminaram base aliada Foto : José Cruz / ABr / CP
O Palácio do Planalto sob o comando do presidente em exercício Michel Temer tenta manter distância dos desdobramentos da colaboração do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado na Operação Lava Jato.

• Aliados de Temer querem agilizar prazos do impeachment temendo grampos

Apesar do temor de que sejam divulgados novos áudios gravados pelo delator, o discurso predominante no entorno de Temer é de que, após a saída do senador Romero Jucá (PMDB-RR) do Ministério do Planejamento em consequência da primeira gravação tornada pública, o governo pode focar a atenção na agenda econômica e evitar ser tragado pelo escândalo.

O fato de Machado, um ex-senador tucano que migrou para o PMDB em 2001, ter ocupado o comando da Transpetro nos governos do PT com apoio político do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), ajuda o Planalto nessa estratégia de se tentar manter distância do caso.

Com a saída de Jucá do Planejamento, resta na Esplanada o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (Turismo), que é alvo de pedido de investigação dentro da Lava Jato. Ele foi sondado nesta semana pelo próprio Temer sobre qual seria sua situação nas investigações e teria ouvido do aliado que não haverá surpresas em relação a ele. Alves foi avisado, porém, que, se algum fato novo aparecer, terá de deixar a pasta.

Para o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, apesar da queda de Jucá, a boa notícia para o governo é que a divulgação dos áudios não contaminou a base aliada a ponto de atrapalhar a aprovação da nova meta fiscal no Congresso.

O secretário do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, também deu prioridade ao discurso econômico. "O governo Temer continua com o mesmo foco, que gera o mesmo discurso, que impõe a mesma prioridade: economia, economia, economia." A agora oposição comandada pelo PT, por sua vez, tenta explorar a crise provocada pelas gravações de Machado. "A opinião pública já está virando contra ele (Temer)", disse o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).