Política

Greve não é férias, diz ministra do Planejamento

Declaração de Miriam Belchior ocorre em dia que TST julga o dissídio da categoria

Greve não é férias, diz ministra do Planejamento
Greve não é férias, diz ministra do Planejamento Foto : Wilson Dias/Abr
A ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Miriam Belchior, disse nesta terça-feira que não considera “errada” a greve dos Correios, mas destacou que os grevistas precisam entender que o não recebimento pelos dias parados é algo a ser considerado antes de se optar pela paralisação. “Greve não é férias. Quando você decide fazer greve assume também a consequência de não receber ou de ter de repor isso de alguma maneira”, afirmou.

“Vai ser difícil alguém que seja de um governo do PT dizer que essa greve está errada. O que acreditamos é que eles (os trabalhadores) estão exercendo um direito que é deles, e o governo tem uma posição a respeito dos limites que hoje temos, tanto do ponto de vista fiscal como do ponto de vista de controle da inflação e aumento de salários”, disse Miriam, depois de audiência pública na Câmara dos Deputados.

A ministra admitiu que a população acaba pagando o preço pelo impasse. “Evidentemente que isso tem impacto na população. Mas o Judiciário tem estabelecido atendimento mínimo, pelo menos para alguns dos setores”, disse.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgará hoje a paralisação dos funcionários dos Correios. Em greve há 27 dias, os servidores e a direção da empresa não chegaram a um acordo sobre o desconto dos dias parados, o percentual de reajuste, o pagamento de abono e o aumento linear para a categoria.

A última tentativa de encerrar a greve antes do julgamento do dissídio coletivo terminou sem acordo, ontem à noite. Representantes dos sindicatos da categoria se reuniram durante horas com o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maurício Godinho Delgado, relator do processo, mas o desconto de parte dos dias parados - ponto que os trabalhadores não aceitam - acabou travando mais uma vez as negociações.

Ao longo do dia, as 35 assembleias de sindicatos regionais em todo o País rejeitaram a proposta feita na última sexta-feira pelo presidente do TST, João Orestes Dalazen, de concessão de abono de R$ 800 e aumento real de R$ 60 a partir de janeiro. Pela proposta, os seis dias descontados na folha de pagamento de setembro seriam devolvidos e descontados a partir de janeiro de 2012, na proporção de meio dia por mês.

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