“Vai ser difícil alguém que seja de um governo do PT dizer que essa greve está errada. O que acreditamos é que eles (os trabalhadores) estão exercendo um direito que é deles, e o governo tem uma posição a respeito dos limites que hoje temos, tanto do ponto de vista fiscal como do ponto de vista de controle da inflação e aumento de salários”, disse Miriam, depois de audiência pública na Câmara dos Deputados.
A ministra admitiu que a população acaba pagando o preço pelo impasse. “Evidentemente que isso tem impacto na população. Mas o Judiciário tem estabelecido atendimento mínimo, pelo menos para alguns dos setores”, disse.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgará hoje a paralisação dos funcionários dos Correios. Em greve há 27 dias, os servidores e a direção da empresa não chegaram a um acordo sobre o desconto dos dias parados, o percentual de reajuste, o pagamento de abono e o aumento linear para a categoria.
A última tentativa de encerrar a greve antes do julgamento do dissídio coletivo terminou sem acordo, ontem à noite. Representantes dos sindicatos da categoria se reuniram durante horas com o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maurício Godinho Delgado, relator do processo, mas o desconto de parte dos dias parados - ponto que os trabalhadores não aceitam - acabou travando mais uma vez as negociações.
Ao longo do dia, as 35 assembleias de sindicatos regionais em todo o País rejeitaram a proposta feita na última sexta-feira pelo presidente do TST, João Orestes Dalazen, de concessão de abono de R$ 800 e aumento real de R$ 60 a partir de janeiro. Pela proposta, os seis dias descontados na folha de pagamento de setembro seriam devolvidos e descontados a partir de janeiro de 2012, na proporção de meio dia por mês.