De acordo com o site da secretaria, a presidente Dilma Rousseff quer a participação das entidades no processo de criação do marco regulatório porque, independentemente das denúncias, o governo pretende manter a parceria com a sociedade civil. "O nosso governo tem a decisão de continuar com essa parceria, com todos os cuidados que as próprias entidades querem que sejam tomados. Para o bem dessas entidades, é importante que haja fiscalização", afirmou Carvalho.
Pouco antes de sua apresentação, o ministro ouviu a palestra do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que criticou a relação entre as ONGs e os partidos políticos. "A visão de organização social é uma visão oposta da que está tão em moda aí de ONGs que obtêm dinheiro para a corrupção. Isso é o oposto do que seria o terceiro setor", disse Fernando Henrique, referindo-se às denúncias de envolvimento de entidades sociais com partidos nos ministérios do Esporte e do Trabalho.
Para o ex-presidente, a ligação entre o terceiro setor e as siglas partidárias se torna "delicada", uma vez que uma ONG pode ser manipulada pelo setor político. "Tem de tomar muito cuidado para que não seja apenas uma extensão do partido porque, se ela for, perde sua força e sua liberdade", analisou.
Em entrevista a jornalistas, Fernando Henrique defendeu maior controle sobre as organizações e disse que os últimos escândalos mancham o nome das entidades sérias. "Já está maculando, é preciso um esforço para restabelecer a relação autêntica da ONG, que é ser independente dos partidos. Não pode ser instrumento dos partidos, muito menos instrumento para obter recursos públicos para fins privados. Isso é inaceitável", afirmou.