Dois grupos de manifestantes em Brasília entraram em confronto, quando a marcha começava a ocupar a frente do Congresso Nacional. A briga começou por que algumas pessoas se irritaram com um grupo ligado à Ordem Dourada do Brasil, formada por militares da reserva que defendem a "intervenção militar Constitucional".
A Polícia Militar (PM) não chegou a prender ninguém, apenas desfez o tumulto. Neste momento, os manifestantes começam a deixar a Esplanada dos Ministérios, depois de três horas de movimento. A PM ainda divulgará o número final de participantes. O último levantamento indicava cerca de 20 mil pessoas.
Dois mil no Rio
Cerca de 2 mil pessoas marcham neste momento por uma das pistas da Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro. Embora os três carros de som peçam impeachment da presidenta Dilma Rousseff e saída do PT do poder, muitos grupos aproveitam o evento para fazer outras reivindicações.
O advogado Eduardo Lima que é contra o impeachment e segurava um cartaz pedindo reforma política. "A única solução é uma nova Constituição que inclui como crime hediondo a corrupção. Tirar a Dilma não adianta, não vai evitar outros casos de corrupção", disse ele, que em seguida criticou o grupo ao lado que defendia a intervenção militar. "Como podem defender a ditadura, deveriam ir para um spa ou se tratar".
O pastor Sidclei Barbalho, 42 anos, defende a intervenção, que segundo ele, não tem nada a ver com ditadura. "Os três Poderes estão corrompidos e a Constituição prevê que neste caso haja intervenção. Os militares intervém por três meses, que pode ser prorrogável por mais um ano, fazem uma auditoria, quem tiver devendo algo é preso e depois são convocadas novas eleições, normal", declarou ele ao garantir que hoje no mundo nãoexiste mais ditadura.
Um pouco mais afastado, um grupo com dezenas de profissionais de educação física protestava contra o Artigo 31 da Resolução Federal de 2010 que autoriza professores primários a darem aulas de educação física. Um dos líderes do movimento, José Paulo Neves, disse que o objetivo do grupo é alertar à população sobre os malefícios dessa legislação. "Nossa luta é garantir o acesso da criança à educação física de qualidade e evitar as demissões e precarização da profissão, pois estão baixando salários.
Aproveitamos para mostrar à sociedade a importância desses profissionais nas escolas. Pois daqui a um tempo vamos perder o ensino médio também", disse. Um homem com uma bandeira vermelha e megafone defendendo o governo foi hostilizado, empurrado e precisou ser escoltado por dezenas de policiais até uma viatura.
São Paulo
Em São Paulo, perto do meio-dia, a população começava a ocupar as calçadas da Avenida Paulista e os motoristas promoviam buzinaços. Na avenida, o partido Solidariedade coletava desde as 9 horas assinaturas para um abaixoassinado pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Caminhoneiros, depois de buzinar na Marginal do Tietê, interditaram a Marginal do Pinheiros e tinham a intenção de seguir até a Paulista. Outro grupo vinha pela Rodovia Presidente Dutra. O tenente-coronel José Eduardo Bexiga, comandante da operação de policiamento ostensivo nos protestos deste domingo, informou que os veículos serão "proibidos" de entrar na avenida.
Mobilização em Belo Horizonte
Em Belo Horizonte, a PM estimou em 3 mil o total de manifestantes na Praça da Liberdade. Na última manifestação, em 15 de março, 25 mil pessoas compareceram.
Um dos líderes do protesto no Rio Grande do Sul, Fábio Ostermann, do Movimento Brasil Livre (MBL), disse que esperava cerca de 20 mil pessoas no Parque Moinhos de Vento, número mais modesto que o visto no dia 15 de março (cerca de 100 mil, de acordo com a Brigada Militar).
Segundo Ostermann, o motivo é a ampliação dos protestos pelo interior do Estado. "Da outra vez nós tivemos só cinco eventos no Rio Grande do Sul, então muita gente veio de outras cidades para participar. Desta vez temos mobilizações marcadas em 35 locais do Estado", disse.
Grupos contrário e favorável à intervenção militar se enfrentam em Brasília
Manifestantes tomaram Esplanada dos Ministérios durante protesto