O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento nesta terça-feira ao juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, na ação em que é acusado de tentar obstruir as investigações da operação Lava Jato. Lula negou que tenha tentado atrapalhar o andamento da ofensiva da Polícia Federal (PF) que investiga irregularidades relacionadas à Petrobras.
"Há dois anos, tenho sido vítima de um massacre. Um cidadão considerado o melhor presidente deste País, que saiu com mais de 80% de aprovação, se vê em meio a manchetes mentirosas de jornal. Eu duvido que há um empresário que vai dizer que eu pedi 10 centavos para ele. Se tem um brasileiro que neste momento deseja a verdade, sou eu. Só tem um brasileiro que pode ter medo de uma delação do Cerveró. Era o Delcídio. Ele sim era próximo dele", escreveu Lula no Twitter.
Para Lula, Delcídio usou seu nome para tentar sair da cadeia. "Depois de fazer a bobagem que fez, tinha que jogar nas costas de alguém. Acho que tem alguém o instigando a falar meu nome", resumiu antes de dizer que jamais teve poder decisão sobre funções na Petrobras. "Os partidos que comportam a base do governo indicam para os cargos. Eu não definia cargos na Petrobras. O presidente não indica, só recomenda ao conselho da empresa a partir da capacidade técnica das pessoas", acrescentou.
Lula contou ainda que sua relação com Delcídio sempre foi institucional e reiterou que não conhecia Nestor Cerveró, então diretor da Petrobras. "Só agora que ele ficou famoso. Eu só vi ele em reuniões", disse. Ao falar de Bumlai, o ex-presidente minimizou o contato entre os dois. "Qual o crime dele ao ligar para mim? Era meu amigo. Ele sabe que a nossa relação não permitia discutir nenhum tipo de negócio. Eu duvido que o Bumlai ou qualquer outro empresário diga que eu os chamei para discutir qualquer promiscuidade. Eu sabia que não podia errar", postou.
Ex-presidente como réu
Na ação, Lula é réu juntamente com o pecuarista José Carlos Bumlai, o banqueiro André Esteves, o ex-senador Delcídio do Amaral e mais três pessoas, todos acusados pelo Ministério Público Federal (MPF) de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, para que ele não firmasse acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. A denúncia, a primeira em que Lula se tornou réu na Lava Jato, foi aceita em julho do ano passado. Todos os réus negam as acusações.
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"Há dois anos, tenho sido vítima de um massacre", diz Lula
Ex-presidente negou envolvimento em tentativa de obstrução da Lava Jato