Em entrevista ao jornal francês Le Monde, publicada nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que acredita que o Brasil pode conseguir um crescimento anual médio de 3% durante o mandato do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que termina em 2027. Ele comentou que "nosso dinamismo é subestimado pela maioria dos analistas" e recordou previsões fracas sobre 2023 que não se concretizaram. Haddad foi questionado sobre os efeitos das inundações no Rio Grande do Sul na economia brasileira. Segundo ele, trata-se de "um golpe duro", pois o Estado responde por 8% da riqueza nacional e é um grande produtor agrícola e industrial. Ele afirmou que o governo federal está determinado a garantir que não falte nada para a reconstrução, qualificando o quadro como "um oceano de desafios".
O ministro ainda disse que o atual governo recebeu a "herança da tragédia econômica dos anos do presidente Jair Bolsonaro", com inflação alta e crescimento fraco. "Nós temos contornado a situação apesar de um contexto internacional difícil", comentou Haddad, mencionando os juros elevados do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e seu peso no crescimento brasileiro. "Eu acredito em 'milagres', mas é preciso levar em conta os freios externos", argumentou. Haddad ainda celebrou a aprovação de uma reforma fiscal e também mencionou um plano de transformação ecológica, lutando contra o desmatamento e para ampliar energias verdes.
Questionado no fim da entrevista sobre a possibilidade de ser presidente, Haddad afirmou que não fica pensando em qual cadeira pode ocupar adiante. "Meu trabalho já é suficientemente complexo para que eu nem pense mais no que vem depois", concluiu.