Política

Hideraldo Caron pede demissão do Dnit

Diretor de Infraestrutura Rodoviária foi alvo de denúncias de irregularidades no seu departamento

O diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Hideraldo Caron, pediu demissão nesta sexta-feira. Desde a última segunda-feira ele tentava permanecer na diretoria, após denúncia de irregularidades no departamento. Ele chegou a ser preservado, num primeiro momento, mas mesmo filiado ao PT gaúcho, não teve êxito em manter o cargo.

O Ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, recebeu nesta manhã o pedido de exoneração. De acordo com nota emitida à tarde pelo Ministério, a solicitação será encaminhada ainda hoje à Presidência da República. Além da pressão da Presidência, o PR, partido aliado, diretamente atingido pelas denúncias de irregularidades, com a perda de cargos no setor, também pressionou.

Após a reportagem desta sexta do jornal O Estado de S.Paulo, de que teria aprovado contrato de R$ 30 milhões com a prefeitura de Canoas para a construção de casas a sem-terra que ocupavam terreno próximo à construção da BR 448, a presidente Dilma Rousseff decidiu que não tinha mais condições de mantê-lo no cargo. Nessa quarta-feira, o governador Tarso Genro falou sobre as denúncias envolvendo o departamento e afirmou, em entrevista na Associação das Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), acreditar na inocência de Hideraldo Caron. Nesse mesmo dia três servidores do Dnit foram exonerados e se juntaram a outros 10 já oficialmente demitidos.

Quando foi diretor-geral do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) do Rio Grande do Sul, Hideraldo Caron, teve as contas consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado por três anos seguidos, de 1999 a 2001. Caron é um dos poucos diretores do Dnit que foi indicado pelo PT e não pelo PR, que comandava a pasta até o início deste mês.

Desde o julgamento das contas, ocorrido entre 2004 e 2005, Caron luta na Justiça para se livrar de multas e ressarcimentos impostos pelo órgão, num total de R$ 255 mil. O processo de tomada de contas de 1999 apontou, entre outras falhas, divergência entre o valor contábil da dívida e seu montante efetivo; ausência de informações quanto ao valor dos processos trabalhistas em fase final; servidores em atividades distintas dos cargos ocupados, e prorrogação de contrato extinto.

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