O Hospital Ana Nery, de Santa do Cruz do Sul, informou neste sábado que rescindiu o contrato com a empresa CAF Representação e Intermediação de Negócios. A companhia e o hospital estão na mira da Polícia Federal (PF) por suposto desvio de emendas parlamentares.
Em nota, a instituição afirma que “ao tomar conhecimento dos fatos apurados na Operação EmendaFest, decidiu pela imediata rescisão do contrato firmado”, alegando ainda “compromisso de zelar pela transparência, ética e responsabilidade na gestão da instituição”.
O hospital é centro da operação deflagrada na última sexta-feira, após investigações apontarem para um suposto acerto de propina nas emendas enviadas à instituição. O acordo era firmado entre o empresário ligado à CAF Representação e Intermediação, Cliver André Fiegenbaum, e o chefe de gabinete do deputado federal gaúcho Afonso Motta (PDT), Lino Rogério da Silva.
Em manifestação após desdobramentos da investigação, o deputado afirmou desconhecer o suposto esquema.
- Governo do RS oficializa exoneração de Cliver Fiegenbaum após investigação da PF
- Parlamentares destinaram R$ 3 milhões em emendas para Hospital Ana Nery de Santa Cruz do Sul
- “Circunstância lamentável”, diz Afonso Motta ao se declarar inocente em suposto desvio de emendas parlamentares
A negociação foi registrada em contrato que determinava os 6% de repasse. A unidade de saúde teria fechado o contrato com a empresa do lobista para “captação de recursos através de indicação de emendas parlamentares”. O hospital repassou pelo menos R$ 509 mil à companhia ligada a Fiegenbaum.
A Polícia Federal apontou ainda o envolvimento de funcionários do hospital, que teriam atuado para acobertar e facilitar o esquema.
Fiegenbaum era ex-diretor administrativo da Metroplan. Sua exoneração foi confirmada no Diário Oficial de sexta-feira, após pedido de afastamento, ainda na quinta, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).