Não chega a ser uma novidade para o presidente da Conab, Edegar Pretto, ou para o PT gaúcho, a falta de empenho do comando nacional do partido com os anseios do diretório estadual ou com uma candidatura majoritária no RS. Em 2022, antes de seu desempenho surpreender no primeiro turno da eleição para o governo do Estado, Pretto, com frequência, ouvia Lula se referir a ele não pelo seu nome, mas como “nosso companheiro lá no Rio Grande do Sul”.
Naquele ano, primeiro, fervilharam as especulações de que a preferida do líder petista para disputar o governo do RS era Manuela D’Ávila, então já sem mandato, mas ainda no PCdoB. Depois, houve um impasse em relação ao PSB. Quatro meses antes da eleição, em junho, quando visitou o RS, ao invés de apoio expresso a Pretto, que já havia lançado a candidatura ao governo, Lula seguiu repetindo que era necessário um acordo entre siglas de esquerda sobre as candidaturas ao Executivo e ao Senado.
Passaram-se dois anos e vieram as eleições municipais de 2024, marcadas pela tragédia climática que assolou o Estado. Lula fez uma série de viagens ao RS em função das enchentes. Mas nenhuma para participar da campanha da então candidata petista ao Paço, a deputada federal Maria do Rosário. No segundo turno, o presidente prometeu rodar o Brasil para apoiar seus candidatos, mas o compromisso, aguardado pelos petistas gaúchos para dar fôlego a Rosário após o prefeito Sebastião Melo (MDB) abrir uma larga vantagem na disputa, não se estendeu a Porto Alegre. Coube a Rosário justificar a ausência de Lula, argumentando que o presidente não queria misturar ajuda humanitária com eleição. Internamente, lideranças partidárias reclamaram que Lula deixou a deputada “na chuva”, e admitiram que a estratégia presidencial priorizou as viagens para capitais onde eram grandes as chances de vitória, evitando vincular sua imagem a derrotas.
Entre as eleições de 2024 e a crise atual envolvendo a pré-candidatura de Edegar Pretto ao Piratini, os petistas gaúchos assistiram ainda ao episódio de fritura pública do único representante do RS no primeiro escalão do governo federal. Tido até então como o gaúcho mais próximo de Lula, Paulo Pimenta, que havia ocupado também o cargo de ministro da Secretaria Extraordinária da Reconstrução do RS, foi demitido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em janeiro de 2025, sem direito a remanejo dentro do ministério, e voltou para a Câmara dos Deputados.