Após a abertura de cada sepultura, os especialistas precisavam esperar duas horas para a saída dos gases. Como abriram cinco e só encontraram os restos de Jango na sexta tentativa, o prazo de encerramento dos trabalhos, previsto para o meio de tarde de quarta, se arrastou por 19 horas e terminou apenas na madrugada de quinta.
No meio da tarde de ontem, o coveiro do cemitério foi chamado em casa para dar um parecer e ofereceu a informação correta sobre o posicionamento do esquife. Logo após o término da exumação, o local foi cimentado e o jazigo foi fechado.
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, pressionava a equipe dos peritos para o término dos trabalhos ainda na quarta, pois a presidente Dilma Rousseff decidiu manter a cerimônia de recebimento do corpo do ex-presidente para a manhã desta quinta.
Ministra negou erro na localização
Segundo nota oficial divulgada pela Secretaria dos Direitos Humanos, "as atividades começaram às 7h15min, com a preparação pericial da área delimitada. Às 9h45min, foi iniciada a primeira etapa, com o intuito da coleta de 12 amostras de gases em pontos distintos do jazigo. A coleta de gases no interior da sepultura foi iniciada às 17h, de quarta-feira, e finalizada às 18h20min. Dez minutos depois começou o procedimento de abertura da sepultura. Às 1h45min foi finalizada a exumação dos restos mortais e seu acondicionamento para transporte, sempre respeitando a cadeia de custódia dos elementos extraídos".
Ao deixar o cemitério nesta quinta após o término dos trabalhos, Maria do Rosário reconheceu que houve erro na divulgação da informação sobre prazo de conclusão da exumação. "Nos precipitamos em afirmar que teria hora para acabar. Os própros peritos haviam me alertado que é impossível garantir o tempo que será gasto neste tipo de trabalho, já que nunca se sabe o que vai se encontrar", afirmou.
A ministra negou que tenham havido erros durante o processo de exumação. “Os peritos tiveram êxito na localização do esquife do presidente e estão fazendo todo um trabalho seguindo um protocolo ético e científico para a manutenção das comprovações que a perícia objetiva”, afirmou. Ela descartou a possibilidade de que os peritos tivessem aberto a urna funerária errada.
Honras militares
Nesta quinta, em uma cerimônia marcada pela emoção, os restos mortais foram recebidos em Brasília. Jango recebeu honras de Chefe de Estado com a execução do hino nacional e salva de 21 tiros de canhão. A presidente Dilma Rousseff esteve o tempo todo ao lado da viúva de João Goulart, Maria Thereza Goulart. Os ex-presidentes Lula, José Sarney e Fernando Collor de Mello estiveram presentes na solenidade.
Após a execução do hino nacional, Dilma e Maria Thereza Goulart depositam uma coroa de flores na urna de João Goulart. Logo após, o cortejo seguiu com a urna carregada por soldados das Forças Armadas.
Pouco antes da cerimônia, a presidente disse via Twitter que a solenidade é uma afirmação da democracia do País. “Hoje é um dia de encontro do Brasil com a sua história. Como chefe de Estado da República Federativa do Brasil participo da recepção aos restos mortais de João Goulart, único presidente a morrer no exílio em circunstância ainda a serem esclarecidas por exames periciais. Essa cerimônia que o Estado brasileiro promove hoje com a memória de João Goulart é uma afirmação da nossa democracia.Uma democracia que se consolida com este gesto histórico”, postou.