Política

Inspeção veicular cria embate entre governo e base

Piratini insiste na votação do projeto agora. Aliados pedem adiamento

Pestana (D) ouviu pedidos dos aliados, mas não admite recuo do Piratini
Pestana (D) ouviu pedidos dos aliados, mas não admite recuo do Piratini Foto : Mauro Schaefer
A implantação da inspeção veicular no Estado a partir de 2012 virou motivo de embate entre o Executivo e a base aliada na Assembleia. Enquanto os parlamentares pressionam pela ampliação do período de discussões, o governo emite sinais de que resistirá e manterá a ideia de aprovar a proposta no primeiro semestre de 2011.

Ontem, após reunião no Piratini com o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, os líderes das bancadas aliadas confiavam que o projeto de lei que regulamenta os critérios da inspeção veicular e estabelece a cobrança de taxa de R$ 54,83 pelo serviço seria retirado do programa de sustentabilidade financeira, que deverá ser protocolado no Legislativo até o dia 24 de maio em regime de urgência. Deputados alegam que é necessário aprofundar detalhes da proposição, como o ano de fabricação da frota que deverá ser inspecionada, as condições financeiras dos proprietários para arcar com os custos de manutenção e o valor da taxa.

Alegando as diversas controvérsias, parlamentares demonstravam quase convicção de que o Piratini cederia e prorrogaria a discussão da inspeção veicular. "Existe uma série de dúvidas. E o governo considera as nossas preocupações. Esse projeto pode não entrar agora ou ser protocolado sem o regime de urgência", afirmou Miriam Marroni (PT), líder do governo. "O Pestana admitiu as ponderações. Do jeito que está, a inspeção veicular vai gerar dificuldades para a base aliada", disse Gerson Burmann (PDT). Pestana, contudo, reforçou que não há como fugir do tema. "É uma determinação obrigatória do Código de Trânsito. Não dá para passar a ideia de que não terá inspeção porque a discussão voltará. Não houve recuo do governo. São ponderações que serão analisadas", disse.