Política

Intelectuais divulgam manifesto contra Bolsonaro

Texto assinado por juristas, artistas, esportistas e empresários não indica candidato

Manifesto não defendeu candidatura de concorrente, mas criticou Bolsonaro
Manifesto não defendeu candidatura de concorrente, mas criticou Bolsonaro Foto : Alan Santos / PR / CP
Um grupo que inclui intelectuais, juristas, artistas, esportistas, ativistas e empresários subscreveu um manifesto contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de voto para presidente da República, divulgado neste domingo. O documento, intitulado "Pela democracia, pelo Brasil", não indica apoio a nenhuma candidatura presidencial, mas afirma ser necessário um movimento democrático contra o projeto do candidato do PSL.

"A candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial", diz o texto. A carta relaciona a ascensão de Bolsonaro com o surgimento de regimes autoritários em outros países e momentos da história. "Testemunhamos os ecos de experiências autoritárias pelo mundo, deflagradas pela expectativa de responder a crises ou superar impasses políticos, afundando seus países no isolamento, na violência e na ruína econômica."

O documento também compara o sucesso do ex-capitão a outros presidentes que assumiram com promessas populista relacionadas ao fim da corrupção. "Conhecemos amplamente os resultados de processos históricos assim. Tivemos em Jânio (Quadros) e (Fernando) Collor outros pretensos heróis da pátria, aventureiros eleitos como supostos redentores da ética e da limpeza política, para nos levar ao desastre."

Nas primeiras linhas, o texto ressalta as diferenças ideológicas entre os autores. Assinam desde o jurista Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ao ex-ministro Renato Janine Ribeiro, que comandou o Ministério da Educação (MEC) por seis meses no governo Dilma.

O manifesto também é subscrito por personalidades que deram apoio a outros candidatos nas eleições. Entre os nomes estão os de Maria Alice Setúbal, educadora e acionista do Itaú Unibanco; do economista Bernard Appy; do empresário Guilherme Leal, sócio da Natura; de Caetano Veloso e Paula Lavigne; do advogado e professor da FGV Oscar Vilhena; e do médico Drauzio Varella.

Caetano e Paula Lavigne declararam apoio a Ciro Gomes (PDT). Maria Alice Setúbal e Guilherme Leal já atuaram ao lado de Marina Silva (Rede) em pleitos passados, mas não têm papel na campanha atual da ex-senadora.

O manifesto foi lançado com uma relação inicial de signatários e ficará hospedado num site próprio do movimento. A lista ficará aberta para quem quiser incluir a assinatura. Até a noite de ontem, a lista tinha a assinatura de cerca de 330 nomes. O documento foi fechado na quinta-feira pelas mãos de um grupo de amigos, entre eles o advogado José Marcelo Zacchi. Ao longo do fim de semana, circulou em grupos de WhatsApp e teve adesões.

Segundo Zacchi, o objetivo do manifesto é reunir vozes que representem diversos segmentos da sociedade e possam mobilizar setores. "É sobre repudiar um projeto que nos parece contrário aos princípios democráticos", diz.

A campanha de Bolsonaro não havia se manifestado para a Agência Estado até a conclusão desta edição.