Política

Intervenção na Eletroceee caminha para disputa judicial

Tema já chegou ao Legislativo e ao Ministério Público de Contas

Intervenção na Eletroceee caminha para disputa judicial
Intervenção na Eletroceee caminha para disputa judicial Foto : Samuel Maciel / CP Memória
Como era esperado, a disputa envolvendo o comando da Fundação CEEE de Seguridade Social (Eletroceee) caminha para desdobramentos na esfera judicial. Na terça-feira, o governo do Estado comemorou decisão da 3ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF). O juiz que apreciou o pedido declinou da competência em julgar uma tutela de urgência solicitada pela fundação para suspender decisão administrativa da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) prevendo novas eleições para a presidência do conselho deliberativo da Eletroceee.

O juiz determinou ainda a remessa dos autos à 13ª Vara Federal da SJDF, onde já tramita uma ação do presidente afastado do conselho, Marco Adiles Moreira Garcia, com o mesmo objetivo. Na 13ª Vara, por sua vez, no mês de março, um pedido de liminar de Adiles foi indeferido pela juíza que avaliou a solicitação. Ela se manifestou pela regularidade do encaminhamento administrativo da Previc. Mas o mérito da ação ainda não foi julgado.

“Isso desconstrói essa versão de intervenção arbitrária e de questão política porque o próprio Judiciário está dizendo que a Previc está correta. O juiz entendeu que poderiam estar tentando usar o Judiciário para, entre Varas diferentes, buscar decisões diferentes. Isso não pode. Acreditamos que isto seja suficiente para que agora o responsável da Previc chame novas eleições”, considerou nesta quarta-feira o secretário de Minas e Energia, Artur Lemos.

“Não desconstrói nada, é algo natural. O secretário tenta buscar uma sustentação para a arbitrariedade que cometeram porque, na prática, sabe que a Previc deveria ter respeitado as duas ações que tramitam na Justiça e não o fez. Vale lembrar que não há decisão final nem em Brasília e nem aqui, onde a patrocinadora move um processo desde março e o juiz também declinou da competência para uma Vara especializada”, rebateu o presidente afastado da Fundação, Gerson Carrion.

A disputa entre governo do Estado e servidores na Eletroceee se arrasta desde 2016 e chegou ao ápice na semana passada quando a Previc, após consulta iniciada pela direção da CEEE (que é patrocinadora da entidade), determinou a intervenção na fundação, afastando os integrantes da diretoria, do conselho deliberativo e do conselho fiscal. Sob óticas diferentes, tanto representantes do governo como da diretoria afastada apontam a disputa como relacionada ao desejo do Executivo de privatizar a CEEE. Desde a intervenção, vários movimentos ocorrem de ambas as partes.

A Comissão de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia Legislativa vota requerimento para a realização de audiência pública sobre a intervenção. Mesmo antes de marcada a audiência, a comissão convidará Lemos, Carrion, Adiles e o interventor nomeado para a Eletroceee, Roger Klafke, para serem ouvidos pelo colegiado em 14 de setembro. Na semana passada, representantes do Sindicato dos Engenheiros (Senge) e do Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro) tiveram audiência no Ministério Público de Contas (MPC) para tratar do tema.