O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, afirmou nesta segunda-feira, que o fato de a operação Zelotes ter cumprido mandados de busca e apreensão em empresas do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não preocupa o governo. Segundo ele, o Brasil não pode ficar assistindo à investigação. "O que preocupa mesmo o governo é a falta de crescimento, o desemprego crescente e a inflação", disse Wagner, após participar de evento com empresários em São Paulo. Na avaliação de Wagner, as atuais investigações sobre grandes esquemas de corrupção do País têm de continuar porque mudam a relação entre o público e o privado.
Questionado também sobre reportagem do jornal Folha de S.Paulo que afirma que 35% das pedaladas fiscais tiveram como objetivo financiar empréstimos para grandes empresários e fazendeiros de médio e grande portes, Wagner diz não ver tal informação como uma denúncia, mas como um caminho normal com retorno positivo de geração de empregos e estímulos a áreas menos desenvolvidas. "Como governador, não teria a chegada de tantas indústrias se o BNDES não tivesse oferecido taxas de juros compatíveis com o mercado internacional. Da mesma forma que o banco de desenvolvimento da Suécia nos ofereceu juros convidativos para formalizar a compra dos caças Grippin", afirmou.
O titular da Casa Civil reconheceu, no entanto, que, atualmente, o governo tem menos musculatura para fazer equalizações de taxas de juros da mesmo forma que fazia antes. "Vamos ter que modular o programa", afirmou. Segundo ele, o objetivo é que cada empresa beneficiada gere riqueza e emprego em várias regiões do País.
Cunha
Jaques Wagner afirmou que a única negociação estabelecida entre o governo e o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se refere ao andamento da pauta de votações sobre questões econômicas. "Quanto à situação do Eduardo Cunha, isso está a cargo do Conselho de Ética, do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal", respondeu a jornalistas, após o evento em São Paulo.
Sobre o andamento das próximas votações, Wagner disse que é possível que a proposta sobre a Desvinculação das Receitas da União (DRU) seja votada nesta terça-feira, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
Base aliada
O ministro-chefe da Casa Civil avaliou que a situação da base aliada é "estável, mas não confortável". "Evoluímos muito na questão política, de reaglutinar a base do governo, e isso é fundamental pois, sem base política organizada e consolidada, é difícil votar tudo aquilo que se precisa", afirmou.
Wagner reconheceu a responsabilidade "prioritária" do governo encontrar soluções para crise, mas concordou com empresários que afirmaram, durante debate, que também cabe ao setor privado apontar caminhos e não apenas cobrar soluções. "Que além das suas demandas justas, que o setor produtivo também traga ideias e volte a investir", disse.
A operação Zelotes
Deflagrada pela Polícia Federal em março deste ano, a operação investiga um dos maiores esquemas de sonegação fiscal já descobertos no Brasil. As investigações são sobre a atuação de quadrilhas junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Receita Federal (Carf), revertendo ou anulando multas. Estão sendo analisados 74 julgamentos do conselho realizados entre 2005 e 2013, nos quais, R$ 19,6 bilhões teriam deixado de ser recolhidos aos cofres públicos.
O Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda, composto por 216 conselheiros em turmas de seis membros, julga em segunda instância recursos administrativos fiscais relativos a tributos cobrados pela Receita Federal. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os integrantes do esquema de corrupção escolhiam processos de grande valor que estavam na pauta do órgão, buscando, em seguida, oferecer uma solução conveniente às companhias em troca de dinheiro.
Os operadores atuavam no fluxo dos processos, recorrendo à corrupção de conselheiros. Parte dos conselheiros envolvidos, segundo o MPF, era do Ministério da Fazenda, mas a maioria pertencia ao Sistema S, que compreende entidades voltadas ao treinamento profissional, entre as quais estão Senai, Sesc, Sesi e Senac.
Entre as empresas investigadas na operação estão os grupos gaúchos Gerdau, RBS, Mundial-Eberle e Marcopolo. O Carf tem R$ 516 bilhões em processos para julgamento. Em média um processo leva oito anos para ser julgado.
Os crimes investigados na operação são de Advocacia Administrativa Fazendária, Tráfico de Influência, Corrupção Passiva, Corrupção Ativa, Associação Criminosa, Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro.
Investigações têm que continuar, diz Jaques Wagner
Ministro-chefe da Casa Civil afirmou que operação Zelotes não preocupa o governo