Falta de médicos, ausência de suporte e atendimento precário. Essas foram as principais críticas que ecoaram durante a audiência pública sobre o IPE Saúde, realizada na Assembleia Legislativa nesta quinta-feira. Representantes de diferentes categorias apresentaram queixas sobre o funcionamento do Instituto, em uma reunião que não contou com a presença do governo, tampouco de nomes do IPE Saúde.
Proponente da audiência, o deputado Halley Lino (PT) afirmou que a bancada do PT deverá solicitar uma auditoria das contas do Instituto, e uma reunião com o novo presidente, Paulo Rogério Silva dos Santos, para entregar as demandas apresentadas pelos grupos sindicais.
Os relatos do presentes apontam para uma rede credenciada precária, principalmente no Interior. Especialidades como cardiologia, neurologia, psiquiatria, psicologia e fisioterapia estão entre as mais demandadas.
Em Santa Vitória do Palmar, o vereador Maurício de Freitas (PT), contou que apesar de mais de 5% da população do município ser segurada pelo IPE, a cidade conta apenas com um clínico geral e um oftalmologista. Assim, para conseguir outros atendimentos, os usuários precisam viajar mais de 200 quilômetros até as cidades vizinhas, Pelotas e Rio Grande, em busca de especialistas.
Queixas sobre problemas nas hospitalizações, como a demora excessiva na aprovação das internações, também foram frequentes, além de denúncias de cobranças indevidas por parte de alguns médicos – que resultariam em práticas criminosas.
“Há necessidade de descentralizar e regionalizar o IPE Saúde”, afirmou Iolanda Rafaeli, coordenadora do grupo de trabalho em Defesa dos Segurados do IPE. A fala foi respaldada nas manifestações de outros convidados durante a audiência, que reclamaram da falta de pessoal do próprio Instituto para atender e prestar assistência aos segurados.
As críticas ganham mais peso quando os servidores relembram a reforma proposta pelo governo do Estado em 2023, que, entre outros pontos, aumentou o valor cobrado. Em fala, Lauro Pedot, da Associação da Agenda União da Brigada, relembrou que apesar do discurso de que os preços praticados pelo IPE são equivalentes aos de outros planos do mercado, o argumento é desonesto. Porque o IPE, por ser público, não tem custos que planos de saúde privados possuem, com captação de clientes e marketing por exemplo.
Diante desse cenário, os usuários temem que a crise enfrentada pelo Instituto acabe sendo usada como argumento para justificar um processo de privatização. “A questão do IPE é uma questão de gestão. A importância que o governador (Eduardo Leite) dá é tanta que o IPE já teve cinco presidentes”, ironizou Ivan Barreto, presidente do SindIPE (Sindicato dos Servidores do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul).