Política

Itamaraty suspende por 20 dias diplomata que ajudou senador boliviano a fugir

Corregedoria concluiu sindicância para apurar quebra de hierarquia, aplicando penalidade administrativa

Um ano e oito meses após o diplomata Eduardo Saboia organizar a retirada do então senador boliviano Roger Pinto Molina e trazê-lo para o Brasil, sem autorização do governo brasileiro, a Corregedoria do Itamaraty concluiu a sindicância para apurar a quebra de hierarquia e sua responsabilidade no caso, aplicando penalidade administrativa de 20 dias de suspensão ao servidor. A decisão foi publicada no boletim interno desta sexta-feira. 

Em agosto de 2013, decidiu organizar a saída do senador, opositor do presidente Evo Morales, dois meses após assumir como encarregado de Negócios (substituto temporário do embaixador) na Bolívia e reiterar ao Itamaraty as dificuldades vividas por Pinto Molina. Cerca de 22 horas depois de sair da capital boliviana, Pinto Molina chegou a Corumbá, no Mato Grosso do Sul, na fronteira com a Bolívia, de onde viajou para Brasília.

Na época, o atual ministro de segunda classe do Itamaraty se defendeu ao afirmar que esteve duas vezes em Brasília e informou a seus superiores que Molina sofria de depressão. Saboia disse que pediu para deixar o posto em La Paz e ser transferido para outro país ou ao Brasil. O salvo-conduto para o senador deixar a Bolívia era negado pelas autoridades locais, sob a alegação de que o parlamentar respondia a processos judiciais no país por suspeita de corrupção.

A repercussão do caso fez a presidente Dilma Rousseff substituir, poucos dias depois, o então chanceler Antonio Patriota por Luiz Alberto Figueiredo, que, à época, era o representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Quase dois anos depois da entrada no país, Pinto Molina continua morando em Brasília. Quanto ao diplomata Eduardo Saboia, o Senado fez pedido de requisição ao Itamaraty para que ele trabalhe na Comissão de Relações Exteriores da Casa.