Política

Janene "não inventou" a corrupção no Brasil, diz viúva à CPI

Stael Fernanda admitiu ter tido contato com alguns parlamentares que hoje aparecem na Operação Lava Jato

Stael Fernanda admitiu ter tido contato com alguns parlamentares que hoje aparecem na Operação Lava Jato
Stael Fernanda admitiu ter tido contato com alguns parlamentares que hoje aparecem na Operação Lava Jato Foto : José Cruz / Agência Brasil / CP
A viúva do ex-deputado José Janene (PP-PR), Stael Fernanda Janene, disse aos membros da CPI da Petrobras que não tem como provar a participação de Janene no esquema de corrupção da estatal, mas que acredita no envolvimento dele no caso. "Acredito que não foi só o Janene. Ele não inventou a corrupção no País", declarou.

Aos parlamentares, Stael, que estava separada de Janene quando ele morreu em 2010, mas não chegou a oficializar o divórcio, disse ter ouvido falar do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e de outros nomes que hoje aparecem na Operação Lava Jato, como Rafael Angulo. Ela admitiu ter tido contato com alguns parlamentares, como Pedro Henry e Pedro Corrêa. O contato maior era com o doleiro Alberto Youssef, que convivia com sua família. "Não sabia ao certo o que o Beto fazia", relatou referindo-se a Youssef.

Em seu depoimento, que durou duas horas e meia, Stael repetiu que não participava da vida política e dos negócios de Janene. "Ele era uma pessoa obcecada por poder", acrescentou. Segundo ela, a cultura muçulmana impedia que ela, como esposa, se inteirasse da vida do então marido. Ela descreveu o ex-deputado como uma pessoa que controlava as finanças, que não gostava de ostentação e reclamava até da "conta da verduraria".

A viúva evitou entrar em detalhes sobre o processo por crime de lavagem de dinheiro movido pelo Ministério Público Federal (MPF) contra ela e outras dez pessoas ligadas a Janene. Ela explicou que até sua conta individual era movimentada pelas secretárias de Janene, que elas eram responsáveis pelo pagamento das contas domésticas, mas que a movimentação era de "valores pequenos". Segundo ela, talões de cheques assinados ficavam em poder das auxiliares do ex-deputado. "Minha conta foi usada pelo escritório dele", enfatizou. Stael foi confrontada pelos deputados sobre a movimentação de R$ 99 mil em sua conta, mas respondeu que não sabia ao certo os valores.

Sobre contas no exterior, ela voltou a dizer que não se lembra de ter assinado nenhum documento do gênero e diz ter certeza que ele não deixou nenhuma conta para ela no exterior. Eles não tinham conta conjunta.

Stael vive hoje como corretora de imóveis e proprietária de um salão de beleza. Ela contou que recebe a pensão integral de Janene para os filhos e que também recebe pelo arrendamento de uma fazenda.