Política

Jobim afirma que governo ainda não decidiu sobre caças

Decisão só deve ser divulgada após o Carnaval

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou nesta quinta-feira, 4, que o Brasil tenha batido o martelo a respeito dos caças que serão comprados pelo País. Segundo informação veiculada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo, o governo já teria se decidido pela aeronave francesa, o Rafale. "Não está nada definido, pois o procedimento não foi finalizado", disse o ministro, durante o balanço dos três anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "A notícia não tem fundamento."

No entanto, a assessoria do Ministério da Defesa indicou esta manhã que a decisão sobre a compra dos caças só será divulgada oficialmente depois do Carnaval. Além disso, o ministro ainda não entregou seu relatório ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que deve ocorrer nos próximos dias.

De acordo com a matéria da Folha de S. Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Jobim definiram a compra do Rafale depois que a empresa reduziu o preço do pacote de aviões de US$ 8,2 bilhões para US$ 6,2 bilhões. Em comunicado, o Comando da Aeronáutica informou que não recebeu qualquer comunicação oficial sobre o vencedor do processo de seleção dos novos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB).

No fim de dezembro, o Comando da Aeronáutica se reuniu e fez um relatório técnico com critérios de pontuação, colocando à frente da concorrência o caça sueco Gripen, fabricado pela Saab. Mas tanto Jobim quanto assessores do presidente Lula alegam que a Estratégia Nacional de Defesa é que deve estar à frente dessa decisão - cuja prioridade é a transferência de tecnologia. No cálculo do Planalto, o Rafale seria, então, o avião mais adequado.

Senado quer esclarecimentos

Nesta quinta, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado aprovou um convite para Jobim prestar esclarecimentos sobre a compra de uma nova frota de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB). A ideia de realizar uma audiência pública sobre o assunto foi dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG), presidente da CRE.

Na condição de convidado, o ministro Nelson Jobim pode decidir se vai ou não participar da audiência proposta pela comissão. É prerrogativa do ministro indicar uma data disponível em sua agenda para participar do encontro.

A polêmica em torno do programa F-X2, de renovação da frota da FAB, se arrasta há meses e tomou fôlego após um recente vazamento de um relatório confidencial da FAB que apontava preferências dos militares pelos caças suecos Gripen NG, fabricados pela Saab, na contramão da orientação do governo pelos caças Rafale. Assessores do presidente Lula já dão como certa a escolha dos Rafale. Entre as possibilidades analisadas pelas Forças Armadas também está o F-18 Super Hornet, da fabricante norte-americana Boeing.

"Da mesma forma que a escolha da melhor opção seja prerrogativa do Poder Executivo, permitindo-lhe contrariar o relatório e ficar com concorrente que mediante as três propostas apresentadas ficou em 3ºlugar, é prerrogativa regimental da CRE o papel de acompanhar e tornar mais transparente para os parlamentares e para a sociedade as negociações envolvendo a aquisição dos aviões caça", afirma o requerimento, assinado pelo senador Eduardo Azeredo.