Essa companhia aparece em 11º lugar num ranking de 1.132 empresas que, desde o início do governo Dilma Rousseff, receberam recursos públicos para veicular propaganda do governo. Embora esteja à frente de empresas responsáveis por publicações de ampla circulação e tradição no país, a Laujar não publica nenhum jornal.
Os cinco títulos beneficiados pela presidência inexistem em bancas do ABC Paulista, onde supostamente são editados, não são cadastrados em nenhum sindicato de qualquer categoria e são completamente desconhecidos de jornalistas e jornaleiros. Também não aparecem em cadastros municipais de jornais aptos a fazer publicidade de prefeituras.
Exemplares enviados à Presidência como provas de que as publicações são reais têm sinais de serem forjados. A Laujar mandou as supostas edições do dia 15 de março do ano passado do Jornal do ABC Paulista, O Dia de Guarulhos, Gazeta de Osasco, Diário de Cubatão e O Paulistano.
O governo Dilma afirma que, em maio, excluiu a empresa de seu cadastro e admite não ter verificado diretamenta a existência das publicações. O proprietário da Laujar, Wilson Nascimento, negou-se a dizer o endereço da redação e do parque gráfico que diz administrar.
Ranking dos gastos do governo com publicidade de janeiro de 2011 a julho de 2012:
Infoglobo Comunicação e Participação S/A ("O Globo" e "Extra"): R$ 927,5 mil
S/A O Estado de S. Paulo: R$ 656,4 mil
Empresa Folha da Manhã S.A: R$ 585 mil
SP Publimetro S/A (Metro): R$ 259,3 mil
Sempre Editora Ltda ("O Tempo" e "Super"): R$ 249,4 mil
S/A Correio Braziliense: R$ 192,8 mil
Empresa Editora A Tarde S/A: R$ 183 mil
Valor Econômico S/A: R$ 164 mil
Editora Jornal do Commercio S/A: R$ 159,2 mil
S/A Estado de Minas: R$ 152,9 mil
Laujar Empresa Jornalística S/C Ltda: R$ 135,6 mil* **
** Com sede em São Bernardo do Campo (SP), empresa diz editar cinco jornais, cuja tiragem total seria de 250 mil exemplares diários: Diário de Cubatão; Jornal do ABC Paulista; O Dia de Guarulhos; Tribuna de Osasco; e O Paulistano.
O que indica que os jornais não existem
• São desconhecidos de jornaleiros, jornalistas e publicitários
• Exemplar enviado para a Presidência trazia relato de um fato que só ocorreu depois da suposta impressão do jornal
• Um suposto anúncio da Unimed, publicado nos exemplares entregues ao governo pela Laujar, é falso, segundo a Unimed
• Nenhum dos jornais tem cadastro nas prefeituras das cidades onde deveriam circular
As brechas do governo federal
• O governo exige apenas o envio de seis exemplares para comprovar a existência do veículo
• A tiragem, que influencia o valor dos pagamentos, é dita pelo jornal; basta declaração em cartório
• Parte do cadastro é baseada em um catálogo organizado por uma empresa privada, que não exige o envio de exemplares para incluir os veículos
• Não há verificação in loco nem checagem com as prefeituras locais
Fonte: Folha de S. Paulo