Política

Jovens ainda são minoria na disputa eleitoral do RS

Apenas 23 candidatos têm entre 20 e 24 anos

Por Fernanda Pugliero

No Rio Grande do Sul, 1.013 candidatos concorrem neste pleito, todos em busca de uma das vagas em disputa: uma no Senado, 55 na Assembleia Legislativa e 31 na Câmara dos Deputados. A maioria dos postulantes a esses cargos públicos eletivos – além dos respectivos vices e suplente, no caso do senador —, cerca de 60%, tem entre 40 e 59 anos de idade. Apenas 23 candidatos, o que equivale a 2,27% do total, referem-se a jovens entre 20 e 24 anos. A idade mínima para assumir uma das vagas no Legislativo estadual ou federal é 21 anos. Pessoas com idade inferior e que apresentaram os nomes para concorrer foram barrados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS) quando da homologação das candidaturas.

Apenas um candidato (ao Senado) consta na faixa etária dos 85 aos 89 anos, o que representa 0,1% do todo. Não há limite máximo de idade para concorrer, apenas mínimo. O presidente, o vice-presidente e os senadores eleitos precisam ter no mínimo 35 anos no dia da posse. O governador eleito e seu vice, 30. Em 2010, 70% dos que concorreram no Estado tinham idades entre 35 e 59. Apenas 15 jovens, na faixa entre 20 e 24 anos, postularam — uma diferença discreta em relação a esse ano. Somente um candidato tinha mais do que 79 anos em 2010. Em 2014, na faixa entre os 75 e 79 são sete.

A cientista política Céli Pinto, da Ufrgs, aponta que é preciso observar se os candidatos jovens foram inscritos nas chapas por terem potencial eleitoral ou apenas para preencher as listas partidárias. “Há partidos mais à esquerda que têm muitos candidatos jovens, que participaram de manifestações e integram diretórios acadêmicos, por exemplo. Nos demais partidos, não sei se os candidatos jovens estão ali só por estar ou se representam alguma potencialidade.” Ela aponta ainda que a média de idade de filiados é sempre menor nos partidos de extrema-esquerda. “As elites partidárias se reproduzem nessas estruturas mais antigas.”

O número geral de candidaturas também aumentou em relação à última eleição geral. Em 2010, 862 pessoas concorreram, demonstrando que houve um acréscimo na quantidade de postulantes neste ano — 151 se apresentaram a mais em 2014. Não há uma explicação simples para essa ampliação. A Lei Eleitoral determina que cada partido pode requerer o registro de candidatos para a Câmara dos Deputados, Câmara Legislativa e Assembleias Legislativas até 150% do número de lugares a preencher.

No caso de coligação para as eleições proporcionais, independentemente do número de partidos que a integrem, poderão ser registrados candidatos até o dobro do número de cadeiras. Na prática, o aumento pode ser devido à criação de novos partidos nos últimos quatro anos, à diminuição de coligações ou ao fato de que as listas de candidaturas foram ampliadas até o limite da legislação.

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