Política

Justiça do Trabalho determina que Fundação Piratini suspenda demissões

Ação de entidades sindicais busca prevenir extinção sem os devidos procedimentos após aprovação de projeto

Ação de entidades sindicais busca prevenir demissões sem os devidos procedimentos após extinção da entidade ser aprovada
Ação de entidades sindicais busca prevenir demissões sem os devidos procedimentos após extinção da entidade ser aprovada Foto : Guilherme Testa
A Justiça do Trabalho determinou que a Fundação Piratini suspenda qualquer demissão antes de abrir negociações coletivas. A entidade, responsável pela TVE e pela Rádio FM Cultura, deverá ser extinta após projeto de austeridade do governo Sartori ser aprovado na Assembleia Legislativa. Foi determinada multa de R$ 10 mil por descumprimento.

A juíza Maria Teresa Vieira da Silva Oliveira, titular da 27ª Vara do Trabalho, afirmou que, enquanto a legislação trabalhista brasileira não estabelecer critérios ou requisitos para a dispensa em massa de empregados, a negociação sindical é imprescindível, até para minimizar o impacto social e econômico da medida. “É evidente que a dispensa de todo o quadro da requerida extrapola o direito individual de cada funcionário, atingindo grande parte da categoria profissional, e, por isso mesmo, passa a guardar consonância com o direito coletivo, tornando obrigatória, assim, a participação do sindicato nas negociações, no escopo de minimizar as consequências socioeconômicas decorrentes do ato rescisório coletivo”, afirmou.

As entidades sindicais ajuizaram liminar contra a Fundação Piratini, alegando que o governo, a pretexto de reduzir despesas, enviou à Assembleia o projeto de lei 246/2016 com a intenção de extinguir seis fundações estaduais. Segundo a decisão, o Estado pode estar com a intenção de agir rápido para burlar a discussão judicial de seus atos e, por isso, exige que a Fundação se manifeste acerca dos direitos trabalhistas dos funcionários.

Questionado sobre o destino dos servidores que integram as fundações que devem ser extintas com a votação do pacote de austeridade na Assembleia Legislativa, o governo José Ivo Sartori explicou que o governo tem de quatro a seis meses para decidir quantos servidores devem ser realocados e quantos devem ser desligados com indenizações.