Justiça Eleitoral promove auditoria em urnas que foram alvo de denúncias
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Justiça Eleitoral promove auditoria em urnas que foram alvo de denúncias

Em Porto Alegre, os equipamentos foram submetidos a cinco procedimentos para comprovar a sua segurança

Por
Henrique Massaro

Justiça Eleitoral promove auditoria em urnas que foram alvos de denúncias

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Até o final da semana, a Justiça Eleitoral deve concluir as auditorias realizadas em urnas de zonas eleitorais que registraram reclamações por parte dos eleitores no primeiro turno. Em Porto Alegre, na tarde desta quarta-feira, os equipamentos foram submetidos no total de cinco procedimentos para comprovar sua integridade e segurança.

Nesta quinta, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) prepara sua sede para, no dia seguinte, promover uma votação paralela, que reproduzirá a votação de uma das seções da Capital. O processo foi o mesmo feito no dia 7 de outubro e ocorre novamente no próximo dia 28, quando ocorre o segundo turno.

Erros

O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RS, Daniel Wobeto, afirmou que a maior parte dos casos reportados diz respeito a erros de procedimento por parte dos eleitores. De acordo com ele, foram identificados muitos votos para cargos em ordem equivocada, mas há também uma situação que merece atenção especial: a reclamação de que a urna encerrou a votação sem confirmar o voto.

Wobeto explicou que tudo sugere que um detalhe no áudio da tecnologia pode ter confundido os cidadãos. Ao final de cada voto, é emitido um bipe curto, mas isso não ocorre no último cargo, para presidente. Assim que um candidato é escolhido, a imagem é a de uma tela de gravação, e, em seguida, um bipe longo.

Para o secretário, a confusão pode ocorrer porque, até que se chegue no sexto cargo, o eleitor se acostumou com o bipe mais curto. Mas ele também atribuiu muitos dos questionamentos à quantidade de fake new que circularam a respeito da possibilidade de fraude nas urnas eletrônicas e que, na sua visão, podem ter criado um clima de tensão. “Temos convicção de que todos os votos dados pelos eleitores foram corretamente gravados pelas urnas”, garantiu Wobeto, que acompanhou as editorias realizadas em Porto Alegre.

Para comprovar isso, os equipamentos foram submetidos a procedimentos que mostravam que o software utilizado era condizente com o do dia de encerramento do prazo de análise do código-fonte da urna eletrônica. No dia 6 de setembro, o programa foi assinado digitalmente no TSE por diversas entidades, como Ministério Público, fiscais dos partidos e juiz eleitoral. O procedimento, conforme o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RS, garante que nenhum sistema falso possa rodar nas urnas.

Procedimentos

O analista da Secretaria Judiciária do TRE, Alexandre Basílio, explicou que os procedimentos aplicados nesta quarta-feira começavam pela conferência dos lacres adesivos, que fecham as portas de entrada e saída das urnas. Segundo ele, deixam vestígios em qualquer caso de rompimento. Em seguida, se conferia o hash, que é um resumo digital do programa colocado na urna.

Gerado na cerimônia de lacração, sua comparação também permite assegurar a integridade do sistema. Outra operação utilizada era com relação a emissão do Boletim de Urna (BU) e do Registro Digital do Voto (RDV), que emite o resultado da urna e verifica toda a informação que for digitada nela, respectivamente. Ainda era feita a gravação do log, que, entre outras coisas, corresponde ao cadastro de urnas. Por último, se checava a assinatura eletrônica feita em setembro.

Nem todas as urnas alvo de denúncias foram auditoradas. Conforme Daniel Wobeto, os juízes eleitorais entenderam que seria suficiente uma demonstração por amostragem e, por isso, utilizaram um equipamento de cada zona eleitoral que registrou reclamação.

Ao longo desta quinta-feira, o TRE prepara a urna que será utilizada na votação paralela. Na sexta, das 7h30min às 17h, os votos de uma das seções de Porto Alegre serão reproduzidas.