Política

Líder do governo diz que Dilma está "tranquila" por caráter pacífico das manifestações

José Pimentel afirmou que protestos mostraram rejeição também contra políticos de oposição

José Pimentel afirmou que protestos mostraram rejeição também contra políticos de oposição
José Pimentel afirmou que protestos mostraram rejeição também contra políticos de oposição Foto : Victor Soares / Divulgação / CP
Um dia após as manifestações que ocorreram em todo o País, a presidente Dilma Rousseff participou de mais uma reunião com interlocutores do Planalto na manhã desta segunda-feira em Brasília. Após o encontro, o líder do governo no Congresso, José Pimentel, abordado por jornalistas, disse que a presidente estava "tranquila" pelo caráter pacífico das manifestações e destacou que os protestos mostraram que "há rejeição contra os políticos, da base e da oposição".

"Todos nós não desconhecemos a situação, nem o tamanho da mobilização. Temos que compreender isso e construir saídas, o que nos deixa assustados é a rejeição à classe política", afirmou, destacando o impedimento de discursos de políticos de oposição e o episódio de hostilidade sofrido pelos tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin.

Pimentel disse que o tema impeachment não foi tratado no encontro e que ainda "não é possível ter clareza" se a pressão pelo afastamento da presidente cresceu. "Acelerar ou retardar o processo é uma decisão da Câmara", afirmou.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse na última sexta-feira que dará prosseguimento à abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff assim que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre os recursos da Câmara contra o rito de tramitação do impeachment definido pelo próprio STF. A decisão final do STF sobre o caso está marcada para esta quarta-feira. Segundo Cunha, "45 dias são um prazo razoável para a tramitação do impeachment" na comissão.

O Planalto ainda evita trabalhar com cronograma, mas reconhece que o processo deve ser acelerado e agora acredita que ele acabará sendo votado. Antes, o governo fazia o apelo para que o processo tramitasse rapidamente, mas agora, com o acirramento da crise política, o Planalto "ainda precisa fechar o quadro" para traçar estratégias.

Sem "bala de prata"


A exemplo do que já disse no começo do ano o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, de que não havia solução mágica ou plano "bombástico" para a recuperação da economia, agora a avaliação é que não existe "bala de prata" para sair da crise política.

Interlocutores da presidente dizem que não deve existir nenhum grande pacote a exemplo do lançado após as manifestações de junho de 2013 e que tem pontos empacados no Congresso. "Não vai ter uma nenhuma espetacularização da presidente Dilma", disse uma fonte. Apesar disso, alguns interlocutores afirmam que a presidente Dilma "ainda tem a esperança" de que o governo possa reagir.