Depois de convocação do presidente da Casa, os líderes se reuniram no início da noite desta terça-feira por cerca de três horas para tentar mostrar ao líder do PSC, deputado André Moura (SE), e demais apoiadores de Feliciano, que a polêmica na CDHM está prejudicando não apenas o colegiado - que não tem conseguido promover reuniões -, mas também a imagem do Parlamento.
“Aquele clima de radicalismo lá instalado, vindo de A, B ou C, não pode continuar. A comissão tem que se reunir, ter um quórum qualificado, tomar decisões, e a cada semana isso não está ocorrendo. Isso atinge a Casa e a instituição como um todo. É dever dele como presidente e dos partidos que lá têm seus representantes cuidarem para que isso volte a ocorrer”, enfatizou Henrique Alves.
O impasse ficou ainda pior depois de nota do PSC em apoio ao deputado e em tom de ameaça a outros partidos, em especial ao PT. No documento, o PSC chegou a fazer referência ao julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão, para destacar que Feliciano é “ficha limpa”. Na reunião dos líderes, foi cogitada a possibilidade de esvaziamento da comissão. Ou seja, os líderes retirariam as indicações feitas para compor o colegiado a fim de inviabilizar os trabalhos e, com isso, forçar a renúncia do presidente. Contudo, foi identificado que os deputados evangélicos têm número suficiente para iniciar os trabalhos e também deliberar.
A CDHM é composta por 18 membros, sendo que é necessária a presença de ao menos metade dos membros para abertura de reunião e a metade mais um para as deliberações. “Não é nada em relação aos evangélicos, nem à sua conduta. São circunstâncias pessoais do comportamento de um parlamentar à frente da Comissão de Direitos Humanos. Ele terá a oportunidade, em uma reunião ampla, de dar as suas razões, explicar as suas posições e ouvir os questionamentos por parte dos líderes desta Casa”, explicou Alves.
Na semana passada, o presidente da Câmara chegou a dizer que a situação estava insustentável e que tomaria uma decisão até esta terça. “A conversa, até então, estava sendo apenas comigo. Era uma iniciativa minha como presidente da Casa procurar harmonizar a situação conflitante que vive aquela comissão. A Câmara não pode permitir que isso continue a ocorrer. Agora, amplia-se esse diálogo, que acho legítimo, respeitoso de toda a Casa com o presidente daquela comissão”, acrescentou o peemedebista.
Apesar da intenção dos líderes não há garantia de que Feliciano participe do encontro com as lideranças. Na última quarta-feira, Henrique Alves convidou o pastor para uma conversa, mas Feliciano não compareceu.