A informação foi confirmada pela diretoria-geral da Mesa da Câmara, que antecipou que o conteúdo da avaliação médica vai indicar a resposta ao pedido de aposentadoria por invalidez solicitado pelo parlamentar.
No início do dia, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), garantiu que o laudo será determinante para a situação de Genoino e que a decisão não sofrerá qualquer influência do laudo feito por médicos do Hospital Universitário de Brasília por encomenda do Supremo Tribunal Federal (STF).
No documento divulgado na terça, os médicos negaram a gravidade do estado de saúde do parlamentar. Alves disse que o laudo realizado pela Câmara tem características específicas, destinadas a analisar a capacidade profissional de Genoino.
O deputado José Genoino está preso desde o dia 15 de novembro, quando começou a cumprir a condenação que sofreu na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Depois de preso, ex-presidente do PT passou mal e foi internado no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal com suspeita de infarto. O parlamentar cumpre agora prisão domiciliar.
Além do pedido de aposentadoria por invalidez, a Câmara também prossegue na instauração do processo de cassação do parlamentar, independentemente da decisão do STF, que já incluiu na condenação a perda automática do mandato.
Assim como Alves, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes descartou que a situação possa causar desconforto entre os Poderes Legislativo e Judiciário. Enquanto o presidente da Câmara reforça que as análises têm focos diferentes, Mendes disse nesta quarta que não há qualquer problema na investigação feita pela junta médica legislativa. O laudo da Câmara dependia, inicialmente, de uma autorização judicial que não foi expedida.
Henrique Eduardo Alves explicou que, no momento em que Genoino passou a cumprir prisão domiciliar, a autorização dependia apenas da vontade do deputado, que está licenciado desde setembro e que teria autorizado a análise.
Para Mendes, a questão terá que ser novamente discutida, porque existem embargos infringentes sobre a situação que ainda não foram decididos. “Terá que haver uma concentração, um entendimento para que não haja atropelos.É possível que haja reclamação, que a própria Procuradoria questione, e, nesse caso, o plenário (do STF) há de se manifestar”, disse.
O ministro alertou que é preciso “parar de se cultivar conflitos” entre o Legislativo e o Judiciário. “A Constituição fala que os Poderes são independentes e devem exercer esses poderes de forma harmônica. Eu não conheço os detalhes quanto ao decreto da prisão domiciliar, mas acredito que há de se ter compreensão em relação a isso. A Câmara pode fazer o exame quando isso é necessário, e também não custa fazer as comunicações ou ao STF ou a quem de direito', ponderou.
Gilmar Mendes acrescentou que as críticas às prisões são manifestações naturais, mas disse que não houve qualquer julgamento político e sim uma análise aberta sobre o caso. “Basta ver que o Tribunal hoje é composto basicamente por pessoas que foram indicadas pelo presidente Lula e pela presidenta Dilma. A não ser que a gente suponha uma teoria conspiratória muito malévola, para dizer assim: todos eles foram indicados para vir desgastar o PT”.