Leite nega que nova proposta para o Magistério envolva reajuste “fictício”
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Leite nega que nova proposta para o Magistério envolva reajuste “fictício”

Governador citou Churchill e Margaret Thatcher e criticou suposto “delírio” do Cpers em defender que piso seja vencimento inicial

Por
Lucas Rivas / Rádio Guaíba

Eduardo Leite falou sobre proposta para o Magistério

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Após o Cpers Sindicato ter criticado o novo projeto para o Magistério, apresentado ontem pelo Executivo, o governador Eduardo Leite (PSDB) negou, nesta sexta-feira, que seja “fictícia” a possibilidade de aumento real, em três anos, de 19,8%. Ao participar da inauguração de um complexo avícola em Arroio do Meio, no Vale do Taquari, Leite destacou que a diferença de remuneração entre o professor de início ao fim de carreira saltou de 52% para 75% com o novo texto sugerido.

Conforme o Executivo, a proposta separa os professores com Mestrado dos com Doutorado, unidos no mesmo nível no projeto original. Com os novos valores, a remuneração chega a R$ 4,7 mil para doutores em fim de carreira, em 2020, e a R$ 5,3 mil, em 2022. Já para profissionais em início de carreira o salário passa de R$ 2,5 mil, em 2020, para R$ 3,2 mil, em 2022.

“Não tem nada de fictícia a mudança. É dinheiro no bolso do professor, especialmente para aqueles que estão em sala de aula. Hoje, um professor recebe R$ 2,3 mil de salário básico, mas como o valor está abaixo do Piso Nacional, ele precisa de um completivo de R$ 226. Com a nossa proposta, este professor, com graduação, vai sair destes R$ 2,5 mil para mais de R$ 3 mil, nos próximos anos. É dinheiro no bolso de 40 mil professores beneficiados”, reforça.

Leite parafraseou os ex-primeiros ministros do Reino Unido, Winston Churchill e Margaret Thatcher e ainda classificou de “delírio” a proposta do Cpers – de estabelecer o piso como valor inicial para servidores ativos e aposentados no Rio Grande do Sul. “Aquilo que o sindicato pensa, quer e deseja, que foi um delírio e que ele estimulou a muitos, é absolutamente impossível, que é aplicar o piso como vencimento inicial na tabela existente, o que significaria os 100 mil professores aposentados receberem R$ 4 bilhões, por ano, a mais. Isso não é melhorar a educação, é um dinheiro que o Estado não tem. Então, talvez o sindicato seja um sindicato dedicado aos aposentados porque, pela Educação, não é”, criticou.

Eduardo Leite reiterou confiança para aprovação do pacote de reformas, previsto para começar a ser votado na próxima terça-feira. Segundo o tucano, caso as propostas sejam chanceladas no Legislativo, o Estado vai poder, no fim de 2020, abrir mão de R$ 3 bilhões anuais provenientes, hoje, da majoração de ICMS.

Promessa de colocar salários em dia fica mais distante

Leite também foi questionado sobre a promessa de campanha, de colocar em dia os salários atrasados e parcelados dos servidores após primeiro ano de mandato. O chefe do Executivo lamentou ter herdado um passivo de R$ 700 milhões, e lembrou que receitas foram antecipadas pela gestão passada.

Além disso, elencou como ponto determinante o recuo para venda das ações do Banrisul, com as quais o Estado previa arrecadar mais de R$ 2 bilhões. “As iniciativas mais importantes, infelizmente, não frutificaram, especialmente a venda das ações do Banrisul. Mas, isso não significa de forma alguma que desviaremos do nosso objetivo, que é colocar o salário em dia e nunca mais atrasar”, concluiu.