Política

Leite reforça disposição de concorrer à presidência da República pelo PSD

Gaúcho afirma que decidiu se filiar após novo partido demonstrar intenção de liderar uma chapa na corrida pelo Planalto

Eduardo Leite será presidente estadual do PSD no Rio Grande do Sul
Eduardo Leite será presidente estadual do PSD no Rio Grande do Sul Foto : Mauricio Tonetto / Divulgação / CP

Em nova casa, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, segue com grandes pretensões. Agora no PSD, o gaúcho segue reforçando sua disposição de ser candidato a presidente da República, mesmo ciente de que há um processo a ser construído dentro do próprio partido.

Leite confirmou seu ingresso no PSD após assinar ficha de filiação na legenda durante ato em São Paulo, nesta sexta-feira. O ex-tucano presidirá a sigla no Rio Grande do Sul. Após a filiação e antes de embarcar para Nova Iorque em missão oficial, concedeu entrevista coletiva por videoconferência.

“Não procuro a candidatura mais fácil ou mais possível. Estou na política para contribuir. Hoje, me enxergo contribuindo para uma candidatura presidencial, onde os polos de protagonismo no processo político não me representam e não representam boa parte da população brasileira. Desejo vivamente ajuda a construir um projeto alternativo de país”, declarou.

Ainda assim, Leite não descartou uma candidatura ao Senado Federal, onde poderia “contribuir duplamente”, tanto para o país quanto para o Estado.

Ainda que Leite deseje ser candidato, agora ele divide agremiação com outro presidenciável: Ratinho Júnior, governador do Paraná, é tido pela direção nacional do partido como possível candidato ao Palácio do Planalto. Antes da definição de um candidato, contudo, o PSD terá que viabilizar a capacidade de liderar um projeto nacional de centro, a fim de evitar ter que aderir a chapas polarizadas como a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição, ou a de Jair Bolsonaro (PL), que, inelegível, deverá indicar um herdeiro político.

“Nas conversas que eu mantive, tanto com o presidente (nacional Gilberto) Kassab quanto com o governador Ratinho, eu vejo muita disposição de o PSD liderar um projeto. Não vi nenhuma inclinação e disposição para estar com uma das candidaturas que hoje polarizam, seja a de Lula ou a de Bolsonaro. E isso conta muito para essa minha filiação”, disse Leite.

Apesar dessa disposição da cúpula do partido relatada pelo governador, o PSD é base do governo Lula e conta com ministérios em sua gestão. Kassab também integra o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) como secretário, em São Paulo, e é apontado como possível candidato de Bolsonaro à Presidência. Para Leite, essas composições são fruto do “complexo” sistema político brasileiro.

“O Brasil tem um sistema complexo. Nem um, nem dois, nem três partidos sozinhos formam maioria. Então se formam coalizões para que o país tenha alguma condição de governabilidade. O PSD hoje integra o governo, tem ministros, mas não apoiou nem participou da chapa do presidente Lula na eleição de 2022. Mas tem a compreensão, como eu tenho, de que na política você pode pensar diferente, mas você senta e conversa”, afirmou.

O ex-tucano não vê más intenções de Lula no governo. “Mantenho muitas diferenças com o presidente Lula e com o que ele pensa para o Brasil, mas não acho que ele seja uma pessoa mal intencionada, nem que os que o cercam queiram destruir o Brasil, como o outro campo antagônico deseja classificar. Acho que tem ali pessoas genuinamente interessadas em colaborar para o país, com um caminho diferente, ideias diferentes que eu considero ruins”, disse Leite.

“Não há sinalização de que se encaminhe para 2026 essa aliança. É neste sentido que, eleitoralmente, o PSD tem a disposição de liderar um projeto próprio para o Brasil, e que me filio ao PSD”, reforçou.

No RS, Leite quer transformar PSD em uma nova força política

Ao se filiar ao PSD, Leite passará a ser o presidente estadual da sigla do Rio Grande do Sul. A definição foi previamente acordada com Gilberto Kassab, que comanda a legenda nacionalmente. À frente do PSD gaúcho, que hoje conta com apenas um deputado federal e um estadual, o governador quer sua nova agremiação como uma nova grande força política no RS.

Para tal, busca atrair políticos de seu grupo, principalmente os que estão hoje no PSDB. “Eu conversei com muitas lideranças e observei nelas a compreensão de que esse caminho era melhor para o grupo. Agora, naturalmente, pode haver uns para lá, uns para cá, mas a minha disposição e o que eu vou buscar construir, porque me tornarei o presidente do PSD no RS, é de formar, a partir dessa minha filiação, uma das maiores forças políticas do Estado”, declarou.

Leite deverá atrair tucanos ao PSD, mas as articulações também devem ocorrer com outras legendas. “Isso vai envolver diálogo com todos aqueles que pensam a política como eu, para formarmos uma força política muito relevante que elegerá uma forte bancada na Assembleia Legislativa, uma forte representação na Câmara dos Deputados também e que se preparará para, logo ali, ter também o maior conjunto, estar entre os partidos com o maior número de prefeitos no Estado”, prospectou.