Política

Levy enfrenta pressão de Estados e prefeituras

Lei que altera indexador das dívidas e reduz estoque dos débitos de Estados e municípios com União ainda não foi regulamentada

Joaquim Levy enfrenta forte desgaste político pela demora na regulamentação da lei
Joaquim Levy enfrenta forte desgaste político pela demora na regulamentação da lei Foto : Valter Campanato / Agência Brasil / CP
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, enfrenta forte desgaste político pela demora na regulamentação da lei que altera o indexador das dívidas e reduz o estoque dos débitos de Estados e municípios com a União, informa o jornal O Estado de S. Paulo em sua edição desta quarta-feira. Sancionada há três meses pela presidente Dilma, a lei ainda não foi regulamentada, tornando sem efeito, na prática, a mudança aprovada pelos parlamentares.

A pressão é um ingrediente adicional na crise política no Congresso, que levou na terça-feira o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), a devolver a medida provisória (MP) que eleva a tributação dos setores desonerados da folha de pagamentos. Além da ofensiva do PT a favor da regulamentação, governadores e prefeitos de outros partidos beneficiados pela alteração na lei começaram a mobilizar suas bases no Congresso para pressionar Levy.

Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, eles vão aumentar os obstáculos à votação das medidas de ajuste fiscal. Filho do presidente do Senado, o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), cobrou urgência ontem em reunião com o ministro. Alagoas é um dos Estados prejudicados pela demora, assim como a cidade de São Paulo. Segundo Renan Filho, Levy prometeu uma solução até o fim de abril.

Os governadores também cobram do ministro R$ 1,9 bilhão que consideram pendente do ano passado, a título de ressarcimento pelas perdas da Lei Kandir, que desonerou o ICMS das exportações. Os recursos não estavam previstos no Orçamento, mas os Estados consideram que são devidos pelo governo. Preocupado com o ajuste fiscal nos Estados e municípios, o ministro já deu sinais de que não tem pressa em regulamentar a lei nem tem recursos para repassar a compensação da Lei Kandir por causa do aperto fiscal.

Haddad

A demora do ministro da Fazenda na regulamentação da lei irritou especialmente o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. A Prefeitura de São Paulo é a maior beneficiada pela nova lei e conta com a redução do estoque para destravar novos investimentos. Haddad conversou com a presidente sobre o assunto e cobrou uma solução para o problema.

Segundo auxiliares de Dilma, ela determinou que Levy apresente logo uma proposta de regulamentação. O prefeito se queixa que a taxa de serviço da dívida é "altíssima" e impede a cidade de fazer investimentos. Levy, no entanto, não tem prazo definido para fazer a regulamentação e está concentrado nas medidas fiscais para evitar o rebaixamento da nota do Brasil pelas agências de risco.

Em conversas reservadas, auxiliares de Haddad afirmam que, se as taxas de juros da dívida e o estoque atual forem mantidos por falta da regulamentação, o PT pode sepultar o projeto de reeleição para prefeito de São Paulo, em 2016. Com a mudança do indexador, aprovada pelo Senado, a dívida da Prefeitura deverá cair de R$ 62 bilhões para R$ 36 bilhões, aproximadamente, devolvendo ao município o limite para contrair novos empréstimos.

Os governadores e prefeitos entraram em estado de alerta porque Levy deu indicações de que pretende criar "amarras" na regulamentação, para dificultar o aumento da capacidade de endividamento de governos estaduais e prefeituras beneficiadas pela lei.