Apesar de o Executivo fazer projeções otimistas e de possuir recursos vultosos para as obras - mais de R$ 500 milhões obtidos em financiamentos -, na prática, o ritmo dos trabalhos, mesmo onde o governo aponta que eles estão em andamento, deixa a desejar. "A situação geral é um tanto lenta. Há lugares em que, se vier uma tartaruga, passa da máquina. Há problemas para dar andamento dentro do Daer (Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem). Em alguns casos, são aditivos que precisam ser aprovados. Em outros, parece que há questões ambientais. Praticamente tudo foi licitado com projeto básico. Então, às vezes, os trechos são orçados com valores meio baixos, para depois as empresas pegarem os aditivos", explica o prefeito de Boqueirão do Leão, João Davi Goergen (PT), que preside, na Federação das associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), a Comissão dos Municípios sem Asfalto.
Goergen diz que, no caso específico de Boqueirão do Leão, 12 dos 21 quilômetros da ligação com Sério, o município vizinho, estão concluídos, praticamente todos feitos no atual governo. O contrato é da época do governo Antônio Britto (então no PMDB). "Estamos satisfeitos, porque está andando, mas é lento", acrescentou. Há, no entanto, um problema adicional. A ligação de sete quilômetros entre Forquetinha e a BR 386 foi inaugurada neste ano, mas o trecho de 20 quilômetros entre Sério e Forquetinha, que completaria o acesso, é alvo de debates entre a empresa e o poder público, já que a ideia é, sob a justificativa de melhorar a qualidade, mudar o tipo do asfalto. Caso a alteração seja feita, aumentam os custos previstos inicialmente.