Política

Lobistas Jorge e Bruno Luz são presos nos EUA

Pai e filho são acusados de serem os principais operadores de propinas do PMDB no esquema na Petrobras

Os lobistas Jorge Luz e Bruno Luz, pai e filho, alvos de mandados de prisão preventiva na Operação Blackout, 38ª fase da Operação da Lava Jato, deflagrada ontem, foram presos agora há pouco nos Estados Unidos. Eles omitiram informações no processo imigratório e a estadia deles havia expirado. Jorge e Bruno são acusados de operar propinas para o PMDB no exterior. Nessa quinta-feira a força-tarefa da Lava Jato pediu ao juiz Sérgio Moro a prisão dos dois após identificar que eles deixaram o Brasil e que possuem dupla nacionalidade. A Polícia Federal informa que não há previsão de eventual extradição ao Brasil ou expulsão.

Bruno Luz viajou para os Estados Unidos em 16 de agosto de 2016. Já seu pai, Jorge Luz, saiu do Brasil no dia 11 de janeiro último. Com isso, a Polícia Federal pediu a inclusão deles na difusão vermelha da Interpol. As investigações mostram que Jorge e Bruno Luz mantinham ‘relação próxima’ com outro operador do PMDB que já está preso, João Augusto Henriques.

A Procuradoria da República sustenta que Jorge e Bruno distribuíram 40 milhões de dólares a ex-diretores da estatal e a senadores do PMDB. Para o juiz Sérgio Moro, os indícios da investigação apontam para a "atuação criminal profissional" de Jorge e Bruno.

Os únicos bens que atualmente constam sob o CPF de Jorge Luz é uma carretinha Reboque Karmann Ghia Re 280 do ano de 1992, que vale, aproximadamente, R$ 1 mil e um terreno de R$ 15 mil na Ilha do Marco, no município de Maracanã, no interior do Pará. Para despistar a origem do dinheiro recebido como propina de contratos fechados por seu intermédio, Luz manteve seu CNPJ responsável apenas como procurador da offshore TBC Equity Ltda.

Controle de várias empresas

No Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, consta que Luz foi sócio de apenas duas empresas - a Total Express Participações Ltda, que teve baixa em 2015, e a GEA Projetos Eireli, da qual saiu em 2011. Entre 1990 e 1997, foi responsável pela empresa FBR Comércio e Indústria Ltda-ME. Embora não apareça em seu CNPJ, a investigação comprovou que Jorge Luz se manteve no controle, por meio de familiares, não só da GEA Projetos, mas de diversas outras empresas. Hoje, a empresa está em nome de sua irmã, Maria de Nazaré Luz Lopes.

Segundo as investigações, Luz chegou a fechar contrato direto entre GEA e a diretoria de Abastecimento, então gerida pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, no valor de R$ 5,2 milhões. Costa disse, em sua delação premiada, que só foi mantido diretor da estatal petrolífera no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por intermédio de Luz, a pedido do PMDB. A GEA também chegou a ser contratada pelo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na época em que Costa era um dos diretores e detinha ampla influência na Petrobras.

Luz, no entanto, permanece como usufrutuário da GEA. "Aparentemente preservando o poder de decisão e o direito aos resultados obtidos pela sociedade. Tanto assim, que continuou recebendo valores a título de distribuição de lucros, que foram declarados como isentos (nas suas declarações de renda de pessoa física de 2012 e 2014)", diz o relatório.