O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado 29, que o Brasil tem o potencial de triplicar seu fluxo na balança comercial com o Vietnã dos atuais US$ 7,7 bilhões ao ano para até 20 bilhões. Segundo um plano de ação assinado por Lula com autoridades vietnamitas, a meta, a princípio, é dobrar o fluxo, chegando a US$ 15 bilhões até 2030.
Em discurso de encerramento do Fórum Econômico Brasil-Vietnã, Lula disse acreditar no aumento do fluxo porque, desde 2008, quando visitou o país asiático pela primeira vez, o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu mais de doze vezes.
"Quando estive aqui pela primeira vez, nosso intercâmbio era modesto, de pouco mais de US$ 500 milhões. Naquele momento, estabelecemos a meta ambiciosa de triplicar o comércio bilateral em três anos. Atingimos esse objetivo e continuamos expandindo nossas trocas", disse Lula em discurso em Hanói, capital do Vietnã.
Lula celebrou a abertura do mercado vietnamita à carne bovina brasileira, acordada nesta sexta-feira, 28. O acordo, segundo o presidente brasileiro, "é o primeiro passo dado" na direção de aumentar o fluxo comercial entre os dois países.
O petista afirmou que o Brasil será "a porta de entrada do Vietnã para a América Latina" e prometeu que, na próxima vez que o País assumir o comando do Mercosul, iniciará as negociações para a assinatura de um acordo entre o Vietnã e o bloco econômico da América do Sul. A presidência do Mercosul é rotativa.
Lula também fez uma crítica velada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem citar o nome do americano, o presidente brasileiro criticou o efeito do protecionismo no comércio global. "Quando o protecionismo ameaça desorganizar as cadeias globais de valor, somos aliados na luta por um comércio internacional mais justo e baseado em regras multilateralmente acordadas", disse.
Durante seu discurso, Lula ainda mencionou o ex-presidente Ho Chi Minh, que foi uma figura central do exército vietnamita durante a Guerra do Vietnã contra os Estados Unidos. "O camarada Ho Chi Minh dizia que as raízes das nações são as pessoas. Promover o comércio e os investimentos é a melhor forma de gerar emprego, renda e dignidade para nossas sociedades", afirmou o brasileiro.
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Lula: Brasil e Vietnã são aliados
Lula afirmou que o Brasil e o Vietnã são aliados na luta por um comércio internacional mais justo e baseado em regras multilaterais, sobretudo quando o protecionismo ameaça desorganizar as cadeias globais de valor.
"Nações geograficamente distantes podem encontrar sinergias e oportunidades para crescer juntas. Com apenas 35 anos de relações diplomáticas, Vietnã e Brasil são exemplos dessa máxima", disse Lula.
O presidente comentou que em 2024 o fluxo bilateral entre os dois países chegou a US$ 7,7 bilhões, doze vezes maior do que em 2008. No plano de ação firmado ontem, 28, foi assumido o compromisso de atingir intercâmbio de US$ 15 bilhões até 2030. A abertura do mercado vietnamita para a carne bovina brasileira, anunciada pelo primeiro-ministro Pham Minh Chính, é o primeiro passo dado nessa direção, disse Lula.
"Hoje, o Brasil exporta mais para o Vietnã do que para parceiros tradicionais como Portugal, Reino Unido ou França. O Vietnã é o quinto destino de produtos do agronegócio brasileiro. Fornecemos cerca de 70% da soja importada pelo Vietnã e 37% da carne suína. No plano de ação que firmamos ontem, assumimos o compromisso de atingir um intercâmbio de US$ 15 bilhões até 2030", afirmou.
Lula disse ainda que a negociação de um acordo Mercosul-Vietnã, que o Brasil pretende lançar ao assumir a presidência do bloco, também contribuirá para esse objetivo. "Nosso desafio principal é diversificar o comércio, contemplando produtos de maior valor agregado", reiterou.