Depois de participar de entregas de imóveis do Programa Minha Casa Minha Vida em Rio Grande, no Sul do Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguiu na tarde desta terça-feira para o Estaleiro Ecovix Rio Grande (ERG), localizado no Complexo Portuário de Rio Grande. Ali foi feita a cerimônia de assinatura de contratos do programa Mar Aberto, da Petrobras e da Transpetro. O acordo tem como objetivo marcar a retomada do polo naval da cidade.
No estaleiro serão construídos cinco navios gaseiros, com investimento de R$ 2,2 bilhões. A cerimônia também marcou a confirmação de contratos para a construção de 18 navios empurradores, que serão fabricados em Santa Catarina, e outros 18 navios barcaças, no Amazonas. Ao todo, os investimentos chegam a R$ 2,8 bilhões e a iniciativa tem potencial de gerar mais de 9 mil empregos, sendo de 3 mil a 4 mil apenas no Sul do RS.
Em parte do discurso destinado aos funcionários do polo naval, Lula relembrou as dificuldades vividas pelos que perderam seus empregos durante a crise no setor. "Vocês sabem o que foi a vida dos trabalhadores dessa cidade quando esse estaleiro deixou de ter 15 mil pessoas para ter pouco mais de 200 funcionários. Vocês sabem o que isso representa para os trabalhadores", contou.
Ao final, depois de dizer que torce para que encontrem petróleo em Pelotas, Lula disse que pretende retornar ao menos duas vezes para o Sul do Estado ainda em 2026. "A melhor coisa para o nosso país é a Petrobras. Aos poucos, ela vai se tornando uma empresa de energia. Nós precisamos construir uma soberania energética. Voltarei aqui esse ano mais que uma vez e quero contar com todos para que esse Estado recupere a primazia que já teve", completou o presidente.
Além de Lula, participaram da cerimônia o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, o governador Eduardo Leite, a prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira, e outras autoridades locais, como deputados federais, estaduais, secretários de governo e prefeitos da região.
A presidente da Petrobras reforçou que a contratação do estaleiro para a construção dos cinco navios passa pelo retorno do crescimento da produção de petróleo no país. Ela destacou ainda a retomada da Petrobras como empresa pública que tem ajudado no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
"É esse crescimento que nos incentiva a fazer encomendas, depois de quase 10 anos sem fazer isso. Essas construções vão demandar um número significativo de profissionais já qualificados a partir de março deste ano", apontou. Magda anunciou ainda o início da transformação da Refinaria Riograndense na primeira biorefinaria do Brasil, a partir do segundo semestre, com investimento de R$ 6 bilhões.
Vaias durante discurso de Leite
Assim que foi anunciado para compor o espaço das autoridades na cerimônia, Leite foi vaiado pelo público presente. "Esse é o amor que venceu o medo?", questionou o governador no início de seu discuros. Além da polêmica, ele reforçou o esforço conjunto entre Estado e União para fomentar o polo nava de Rio Grande.
"São dois investimentos importantes, tanto esse no Estaleiro como da CMPC. A retomada do polo naval com a construção de navios gaseiros passa também pelo governo do Estado que trabalhou para garantir algum uso dessa área quando a indústria naval declinou. Tivemos muita preocupação de garantir condições de manutenção do estaleiro", salientou.
Dos cinco navios gaseiros que serão construídos no estaleiro da Ecovix, em Rio Grande, três serão embarcações com capacidade de 7 mil metros cúbidos e os outros dois serão de 14 mil metros cúbicos. Com o investimento, a frota de gaseiros da Transpetro passará de seis para 14 embarcações, triplicando a atual capacidade de transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e derivados.
Além disso, de acordo com a Transpetro, os novos gaseiros serão até 20% mais eficientes em consumo, reduzirão em 30% as emissões de gases de efeito estufa e estarão aptos para operar em portos eletrificados. O primeiro navio deve ser lançado em até 33 meses após o início das obras em Rio Grande, com entregas subsequentes dos demais navios a cada seis meses.
De acordo com o acionista da Ecovix, José Antunes Sobrinho, a contratação reflete uma política de estado que pensa no futuro da indústria naval. "A construção naval é parte estratégica da cadeia de produção do Brasil. Recebemos mais uma vez o presidente para mais um contrato relevante", afirmou.
Segundo o acionista, atualmente, a empresa possui 400 funcionários. Antes da crise no setor, há mais de 10 anos, o número de colaboradores superava 15 mil. "Deveremos alcançar, no segundo semestre de 2027, o número de cerca de 4 mil empregados. Essa vitória não é só da Ecovix. Não é só do estaleiro. É o Brasil que escolhe trabalhar, produzir e gerar renda", completou Sobrinho.
O programa Mar Aberto, do Sistema Petrobras, tem como objetivo renovar e ampliar a frota nacional, além de fomentar a indústria naval brasileira. Com aportes estimados em US$ 6 bilhões no período de 2026 a 2030, a iniciativa contempla a construção de cerca de 60 embarcações, além da previsão de afretamento de 40 outros navios para atividades de exploração e produção.
Concessão de terminal para a CMPC
Entre a entrega dos imóveis e a assinatura de contrato, o presidente Lula visitou ainda a área que será concedida para a CMPC no terminal portuário de Rio Grande. O investimento no Terminal de Uso Privado (TUP) da empresa chilena será de ceca de R$ 1,5 bilhão, com potencia de gerar mais de mil empregos na cidade.
A adesão da área à CMPC faz parte do projeto da nova fábrica da empresa no RS, que prevê investimentos de R$ 24 bilhões. Conforme a empresa, o TUP é considerado estratégico para o fortalecimento da infraestrutura logística e para o escoamento da produção destinada à exportação.