O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta terça-feira, 5, que o Brasil merece respeito e criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao anunciar novas taxações contra o país. "O presidente norte-americano não tinha direito de anunciar taxações como anunciou ao Brasil", disse durante abertura da 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, no Palácio Itamaraty.
Segundo Lula, Trump poderia ter ligado a ele ou ao vice-presidente Geraldo Alckmin, já que haveria disposição para diálogo. Ele acrescentou ainda que a medida não se trata de uma questão política, mas sim eleitoral.
O presidente reforçou que o Brasil merece respeito no cenário internacional e destacou seu papel como exemplo de país negociador. "Tem gente que acha que a gente é vira lata, tem gente que não gosta de se respeitar. E ninguém pode dizer que tem um governo que gosta mais de negociar do que nós. Eu nasci na vida política negociando [...] nesse mundo, ninguém me dá lição de negociação", afirmou, ao reiterar que já lidou com vários magnatas.
O presidente voltou a afirmar que o Brasil não pode depender de um único país e reiterou que está cansado de ser tratado como pertencente ao Terceiro Mundo.
Lula afirmou ainda que "não é possível o mundo dar certo se a gente perder o mínimo senso de responsabilidade no respeito à soberania dos países". Ele afirmou não querer "gastar tempo" comentando o tarifaço dos EUA, nem a prisão do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).
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Poucos “empresários nacionalistas”
Lula também disse que há poucos "empresários nacionalistas" no Brasil. "Hoje você tem mais mercantilistas do que nacionalistas. Então, defender o Brasil ficou muito mais complicado", classificou.
Ele ainda afirmou que nasceu na vida política negociando. "Ninguém me dá lição de negociação, eu já lidei com muitos magnatas do mundo. E eu respeito todos. Eu duvido que alguém tenha sido tratado com desrespeito por mim", comentou.
Conselhão
De acordo com o presidente, o Conselhão "representa a cara da mais verdadeira economia no planeta Terra". O órgão é composto por representantes da sociedade civil e assessora o presidente na formulação de políticas públicas e diretrizes de governo.
Lula disse que o Brasil "perdeu muito" quando o Conselhão deixou de funcionar no governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2023. "É por isso que, quando retornamos ao governo, resolvemos criar o conselho para fazer exatamente o que vocês fazem: se reunir, dar palpite, fazer sugestão, elaborar projeto de lei, projeto de decreto", afirmou o presidente da República.