No primeiro encontro o juiz irá interrogar Lula sobre o suposto recebimento de propina da empreiteira OAS, por meio da compra de um tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo. Outro tema que será explorado é o armazenamento de bens do ex-presidente pela OAS, entre 2011 e 2016.
Inicialmente, Moro falará para o réu do que ele é acusado no processo. Na sequência, o juiz alerta que Lula tem o direito constitucional de ficar calado e que o silêncio não implica em prejuízos no processo. Na sequência, Sérgio Moro fará perguntas sobre a vida do réu (onde mora e trabalha com o que), para depois iniciar o interrogatório sobre as acusações.
Após os questionamentos, o Ministério Público faz as perguntas, seguido pelos assistentes de acusação, entre eles os representantes da Petrobras. Após a fala, é a vez da defesa. Procuradores e advogados podem interromper o depoimento a qualquer momento para levantar questões ao juiz, como, por exemplo, reclamações por perguntas repetidas ou assuntos que não tenham ligação com o processo.
Antes do término, Moro perguntará a Lula se ele tem algo a acrescentar. O depoimento será gravado pela Justiça Federal de Curitiba com a câmera fixa no depoente. A defesa pode pedir para que seu cliente não seja filmado, o equipamento é direcionado para outro local, onde não apareça ninguém, mas segue ligada para a captação do áudio. A defesa do ex-presidente tentou transmitir ao vivo o interrogatório, mas duas instâncias da Justiça negaram o pedido.
Força da verdade
"O ex-presidente Lula está pronto para prestar o seu depoimento ao juiz Sérgio Moro. Ele vai com a força da verdade", declarou o advogado de defesa, Cristiano Zanin Martins. Apesar do consenso generalizado entre analistas de que Lula, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como o comandante da rede de subornos na Petrobras, será condenado nesta primeira instância, Martins sustenta que ainda não provaram nenhuma das acusações.
Martins reiterou que o ex-presidente jamais participou de algum esquema de irregularidades na Petrobras. "Não há qualquer participação dele em um esquema de ilicitude que tenha ocorrido dentro da Petrobras. Não há nada que mostre isso. Ao contrário, a prova é favorável, a prova mostra a inocência. E é isso que mostra um cenário político envolvido. Por que continuar acusando o Lula se ele já demostrou a sua inocência?", questionou.
Sentença
A sentença será divulgada entre 45 e 60 dias depois e será a primeira ligada ao ex-presidente no âmbito da Operação Lava Jato, que desvendou uma fraude de mais de 2 bilhões de dólares na petroleira estatal. De acordo com as leis brasileiras, Lula não pode se candidatar se uma eventual condenação for ratificada em segunda instância, que segundo os prazos habituais do tribunal é um processo que costuma durar um ano. O processo, conhecido como o "apartamento do Guarujá", é uma das cinco acusações que até o momento pesam contra Lula, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e obstrução à justiça.