No canteiro das obras da usina hidrelétrica de Estreito, na divisa do Maranhão com Tocantins, ele aproveitou para ironizar as críticas à decisão tomada no início de seu governo de adquirir o Airbus-319. Esse avião, batizado pelo Planalto de Santos Dumont e pela imprensa de "Aerolula", poderá, no próximo governo, ser substituído por uma aeronave mais eficiente. "Acabou aquela bobagem do ''Aerolula''", disse. "Agora, estou chateado porque vou deixar a Presidência e não levar o avião comigo."
Ainda em tom de ironia, ele propôs uma campanha da imprensa para ficar com o "Aerolula" após deixar o governo. "Poderia fazer uma campanha e levar o avião comigo", disse. Ele avaliou que a autonomia de 12 horas de voo do Aerolula não atende à demanda das viagens mais longas da Presidência.
Daí a necessidade de uma nova aeronave, já batizada de "Aerodilma" antes mesmo de o governo bater o martelo. "O Brasil precisa de um avião com maior autonomia para o presidente da República viajar", afirmou Lula. "É uma vergonha ter um avião de apenas 12 horas de autonomia."
Lula reclamou inclusive do "Sucatão", como foi batizado o Boeing-707, antecessor do "Aerolula", que hoje transporta funcionários do governo nas viagens presidenciais. Em uma viagem ao continente africano em 2007, o "Sucatão" sofreu pane em uma de suas turbinas, tendo de fazer um voo de emergência.
"O Brasil não pode ser um país grande do jeito que é e ter um comportamento humilhante lá fora, onde o ''Sucatão'' nem pode parar", disse. "O ''Sucatão'' está para lá de Bagdá", brincou. "As pessoas vão para o exterior trabalhar", completou o presidente.