Política

Lula defende decisão sobre royalties para depois das eleições

Presidente considera precipitada a disputa de Estados pela divisão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera precipitada a disputa de Estados pelos royalties da extração de petróleo e gás da chamada camada pré-sal. Em entrevista nesta sexta ao jornal A Tarde, de Salvador (BA), Lula defendeu que a solução para a divisão seja tomada depois das eleições. O primeiro turno do pleito será no dia 3 de outurbo, e o segundo, no dia 31 do mesmo mês.

"De repente, (Estados e municípios) começaram a brigar pelo pirão antes mesmo de pescar o peixe", avaliou. "A decisão cabe ao Congresso que, eu espero e desejo, saberá encontrar a solução mais adequada. Para que o clima acirrado da disputa eleitoral não interfira numa decisão que vai valer por décadas, o ideal é decidir depois das eleições, quando haverá muito mais tranquilidade para buscarmos a melhor saída."

Para Lula, acusação de propaganda é 'barulho da oposição'

O presidente aproveitou as multas de R$ 5 mil e R$ 10 mil que sofreu em apenas uma semana, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - que o condenou por promover propaganda eleitoral antecipada para a ministra Dilma Rousseff -, para voltar a atacar a oposição e a desqualificar os governos anteriores ao seu.

Lula afirmou que as acusações que resultaram em sua punição são "barulho feito pela oposição por razões políticas" e o que tanto ele quanto Dilma fazem, ao comparecer a eventos, é "mostrar à sociedade de que maneira estamos aplicando os recursos dos impostos".

"Quando a oposição esteve no governo, não havia empreendimentos, não havia obras, não havia nada para ser inaugurado", alegou Lula. "Estamos prestando contas à população e mostrando nossos serviços, como devem fazer todos os governos. Se a ministra se empenhou em prol das melhorias que estamos implementando, por que, na hora da inauguração, ela tem de ficar recolhida em casa?"

O presidente disse que vai recorrer das decisões, porque, para ele, "não houve nem tem havido campanha antecipada, nem dissimulada". "Não podemos ser penalizados por tomar iniciativas, por criar programas, por investir em obras mais do que necessárias, que há muito tempo já deveriam ter sido feitas por outros governos."