O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que somente depois da decisão do Senado é que vai definir que posição tomar sobre o aumento nas aposentadorias acima de um salário mínimo. Na terça-feira, 4, a Câmara aprovou um reajuste de 7,7%, acima do que tinha sido acordado entre o governo e as centrais sindicais, de 6,14%.
"A mim, só cabe esperar a decisão final do Senado para que eu possa analisar os impactos disso na economia brasileira e na previdência social, e tomar a decisão. Acho que é assim que o presidente deve se comportar, ou seja, a Câmara cumpriu o seu papel, o Senado vai cumprir o seu papel e depois o presidente cumprirá o seu papel", disse Lula, no Palácio do Itamaraty, onde recebeu as credenciais de novos embaixadores estrangeiros.
Lula não considera aumento da Câmara uma loucura
Para o presidente, apesar do acordo do governo com as centrais sindicais para o reajuste das aposentadorias, a Câmara entendeu que deveria votar algo diferente do que tinha sido acordado com os dirigentes sindicais. Ele não considera, porém, que o reajuste de 7,7% seja uma loucura. "Não, não. Veja, é um porcentual que a Câmara entendeu que era o correto e se a Câmara entendeu, não posso considerar loucura. Posso entender que os deputados têm tanta vontade de acertar, de fazer as coisas boas para o país como eu. É uma questão de visão econômica que vamos ou consertar ou manter do jeito que está depois que for aprovada no Senado", disse.
O presidente disse que ainda não sabe qual o impacto desse aumento, mas que discutirá o assunto com o ministro da Fazenda, Guido Mantega "... e nós vamos tentar ver porque tudo o que queremos fazer é melhorar a vida do povo trabalhador neste país". "Agora, só é possível melhorar a vida do povo se houver compatibilidade entre a necessidade do reajuste e a receita que nós temos. De forma que com muita tranquilidade eu vou conversar com o ministro da Fazenda, mas tudo só depois que o Senado tomar a decisão final. Não sei se o Senado toma essa decisão, não sei se volta para a Câmara. Portanto, a hora é de aguardar o Congresso que tem autonomia para cumprir a sua parte. Vamos esperar chegar às minhas mãos. Um bom juiz ele só se manifesta nos autos do processo. Então, deixa o processo chegar à minha mão que eu vou então tomar a decisão", disse.
Ao ser indagado se a decisão da Câmara foi eleitoreira, respondeu: "Aí fica por conta da interpretação de cada um de vocês. Eu acho e quero dizer para vocês que não vejo nenhuma necessidade para neste momento excepcional que o Brasil está vivendo, a gente fazer qualquer espécie de loucura em qualquer área para que a gente atrapalhe um novo ciclo de desenvolvimento do país. O Brasil levou muitos anos para chegar onde chegou. É um momento virtuoso, é um momento excepcional em que as contas estão acertadas, o crescimento está acontecendo, e obviamente que a gente não pode permitir que qualquer coisa, seja previdência, seja política de juros, seja qualquer coisa, seja inflação, venha causar qualquer impossibilidade de o Brasil continuar nesse momento excepcional que estamos vivendo. Vocês e eu e o povo brasileiro sabem o que nós passamos para chegar a esse momento e nós não podemos jogá-lo fora, é só isso", disse.
E concluiu: "Todo mundo tem apreço pelos aposentados. E no ano eleitoral aumenta o apreço de forma extraordinária, sabe. Eu não acredito que tenha dentro do território brasileiro ou no mundo alguém que tenha mais compromisso do que eu, não acredito".
Fator previdenciário
O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse nesta quarta-feira, 5, que o governo vai tentar mostrar aos senadores que o fator previdenciário tem que ser mantido e que o limite para o reajuste das aposentadorias acima de um salário mínimo é de 7%.
"Vamos defender no Senado a volta do fator previdenciário e que o limite do governo para os aposentados é de 7%", disse Padilha, ao deixar o almoço da pré-candidata Dilma Rousseff, com a cúpula do PSB.
"Se os parlamentares acham que o clima eleitoral vai fazer com que o governo prejudique as contas do País, estão enganados. Em 2006 rejeitamos um reajuste para os aposentados e vencemos as eleições", lembrou. "Não podemos, por conta de um clima eleitoral, prejudicar as contas do governo". Segundo ele pelos cálculos inicias, o fim do fator previdenciário causaria um impacto de R$ 4 bilhões por ano nas contas da Previdência. "Isso sem levar em conta as pessoas que estão para se aposentar", afirmou.
Lula espera votação no Senado para definir aposentadoria
Câmara aprovou reajuste de 7,71%, acima do valor acordado entre o governo e as centrais sindicais