Política

Lula exige que países ricos assumam responsabilidade na redução de CO2

UE e Brasil encerraram cúpula na Suécia sem avanços nas negociações para acordo mundial contra a mudança climática

Lula exige que países ricos assumam responsabilidade na redução de CO2
Lula exige que países ricos assumam responsabilidade na redução de CO2 Foto : AFP
A União Europeia e o Brasil encerraram nesta terça-feira sua cúpula em Estocolmo sem registrar avanços sobre a negociações para um acordo planetário contra a mudança climática, sinal que de persistem as diferenças entre ricos e emergentes quanto ao esforço que cada um deve assumir nesse sentido, faltando dois meses para o crucial encontro de Copenhague.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu que os países ricos - grandes emissores de dióxido de carbono, como os Estados Unidos - assumam o peso da luta contra o aquecimento global. "Cada país deveria assumir sua responsabilidade pelo dano que está causando", declarou em uma entrevista coletiva ao fim da reunião, centrada na mudança climática, a dois meses da conferência de Copenhague que deve resultar em um ambicioso acordo.

"Minha crença é de que cada país deve ir a Copenhague dizendo até que ponto é responsável pelo aquecimento global", explicou Lula, que propôs a apresentação de um mapa-múndi que determine quanto cada país emite de poluição, "do menor país africano até os Estados Unidos".

"Quando soubermos quanto emite um país do tamanho dos Estados Unidos ou China, então saberemos que papel eles devem desempenhar na luta contra a mudança climática". Se o presidente americano, Barack Obama, "conseguir convencer o Congresso a aprovar metas de redução ambiciosas, então começaremos a solucionar o problema", completou.

Durante o encontro, UE e Brasil concordaram em trabalhar juntos para obter um compromisso substancial na conferência na capital dinamarquesa, mas não conseguiram aproximar as posições entre países ricos e emergentes, divididos sobre como devem ser distribuídos os compromissos de redução de emissões.

Lula, acompanhado do chanceler Celso Amorim, foi recebido pelo primeiro-ministro sueco e presidente semestral da UE, Fredrik Reinfeldt, e pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, na sede do governo da Suécia.
As negociações internacionais para um ambicioso acordo contra o aquecimento global em dezembro foram um dos temas mais importantes da reunião, assim como a crise econômica mundial e o reforço das relações bilaterais.

O senado americano acaba de iniciar o debate sobre um projeto de lei dos democratas que fixa como objetivo a redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa até 2020 em relação aos níveis de 2005.

O Brasil ainda não colocou suas cartas na mesa: apesar de Reinfeldt pedir a Lula que dê o exemplo na América Latina e anuncie em breve os compromissos que seu país está disposto a assumir, o líder brasileiro se mostrou esquivo, deixando a questão para Copenhague.