O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu os apontamentos do governo norte-americano sobre supostas violações de direitos humanos e arbitrariedades no Poder Judiciário no Brasil. Durante o lançamento do plano Brasil Soberano, que reúne medidas para mitigar as tarifas de 50% dos Estados Unidos impostas a produtos brasileiros, Lula fez uma fala forte em defesa da soberania nacional.
O presidente afirmou que o país não tinha nenhuma razão para ser taxado pelos Estados Unidos do ponto de vista comercial e citou que, nos últimos 15 anos, o superávit foi de US$ 410 bilhões, entre bens e serviços, para o lado dos norte-americanos.
“No Brasil, temos um Poder Judiciário autônomo, e que está garantido na Constituição de 88 que nem o Poder Executivo ou o Congresso Nacional têm nenhuma incidência sobre julgamentos que acontecem na Suprema Corte. E ninguém está desrespeitando regras de direitos humanos, como estão tentando apresentar ao mundo”, afirmou Lula.
O presidente disse ainda que os norte-americanos “tentam criar uma imagem de demônio contra quem eles querem brigar”. “É assim com a América Latina, é assim com o mundo árabe, é assim com os russos, é assim com os asiáticos. E o Brasil não tinha efetivamente nenhuma razão para ser taxado, tampouco aceitaremos qualquer pecha de que no brasil nós não respeitamos os Direitos Humanos e de que o julgamento está sendo feito de forma arbitrária.”
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Calma, negociação e novos parceiros
Em sua fala, Lula deixou claro que o Brasil vai insistir na negociação e procurar outros países para parcerias comerciais. Disse ainda que conta com o auxílio do Congresso Nacional para amenizar os efeitos das taxas.
"O que nós vamos fazer é negociar. Nós vamos teimar em negociar, porque nós somos um país de paz. E sem dúvida alguma não merecíamos o que estamos sofrendo. Agora, podem ter certeza de que vamos fazer tudo para amenizar os efeitos das tarifas. Não queremos fazer nada que justifique a nossa relação com os Estados Unidos”, comentou Lula
Em meio à crise gerada pelo tarifaço, o governo está alcançando a marca de 400 novos acordos comerciais em dois anos e meio, afirmou o presidente.
Lula pregou calma em relação à situação de crise. “A gente não pode ficar apavorado e nervoso e muito excitado quando tem uma crise. A crise existe para a gente criar novas coisas. A humanidade criou grandes coisas que salvaram a humanidade em tempos de crise.”
"Quem não quer negociar são eles”
Lula avaliou que “essa aposta que o governo dos Estados Unidos está fazendo pode não dar certo para eles” e afirmou que o Brasil está procurando alternativas “para que os EUA aprendam que democracia e respeito comercial e multilateralismo vale para nós e deve valer para eles”.
Ele afirmou que o presidente da China, Xi Jinping, "assusta” os EUA porque tem balança comercial de US$ 160 bilhões com o Brasil. E disse que o Brasil “vai continuar assustando muita gente” porque vai continuar melhorando sua produção. Em relação ao diálogo com os EUA para tentar reverter a sobretaxa de 50%, Lula repetiu que "quem não quer negociar são eles, quem está com bravata são eles".
"Eu já falei com Índia, China, Rússia, vou falar com a França, com a Alemanha. Eu vou falar com todo mundo. Eles se dão conta do que está acontecendo no mundo e, junto aos Brics, nós vamos fazer uma teleconferência que está sendo articulada para a gente discutir, dentro dos Brics, o que podemos fazer para melhorar a nossa relação entre todos os países que foram acertados", disse Lula.